Bloco quer ouvir no parlamento os representantes dos trabalhadores sobre privatização do ‘handling’ da SATA Air Açores

O Bloco de Esquerda quer ouvir no parlamento a Comissão de Trabalhadores da SATA Air Açores, o SITAVA e o SINTAC, que dizem não ter sido devidamente envolvidas na preparação da privatização do ‘handling’ da companhia aérea regional, um processo que, de acordo com o governo, vai retirar mais de metade dos trabalhadores da empresa.

O Plano de Reestruturação do Grupo SATA, apresentado por Portugal e aprovado pela Comissão Europeia, inclui a privatização de 100% do serviço de ‘handling’ da companhia aérea.

A privatização deste serviço será efetuada através da criação de uma nova empresa dentro do Grupo SATA, para onde vão transitar 640 trabalhadores da SATA Air Açores – de acordo com o que revelou o secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública no plenário de dezembro do parlamento dos Açores – e que será posteriormente totalmente privatizada.

“O universo de trabalhadores em questão representa 65% dos trabalhadores da SATA Air Açores, ou seja, significa que estamos perante uma alteração muito profunda na estrutura da empresa de transporte aéreo interilhas”, refere o requerimento que o Bloco enviou hoje ao presidente da Comissão de Economia do parlamento dos Açores, que deverá ser votado na próxima reunião desta comissão.

O Bloco considera que a separação do serviço de ‘handling’ e a criação de uma nova empresa com a intenção de a privatizar a 100% não podem ser feitas sem o necessário acompanhamento, fiscalização e escrutínio por parte da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

Nos últimos dias, a Comissão de Trabalhadores da SATA Air Açores e os sindicatos representativos dos trabalhadores da empresa referiram publicamente que a administração do Grupo SATA não assegurou as condições que permitissem o envolvimento próximo e ativo no processo de preparação da privatização do serviço de ‘handling’ da empresa.

Apontando a resolução, da iniciativa dos partidos do governo e do PS, que foi aprovada em dezembro do ano passado, que determina que a Comissão de Economia “tem a competência de acompanhar o processo de privatização” e que pode “mediante deliberação, solicitar audições a personalidades ou entidades sobre o processo em curso”, o Bloco propõe que a Comissão de Trabalhadores da SATA Air Açores, o SITAVA e o SINTAC sejam ouvido no parlamento.

O Bloco considera que a privatização do ‘handling’ da SATA Air Açores é um grande erro.

O deputado António Lima já tinha alertado que “o ´handling’ era a maior parte da SATA Air Açores”, o que se veio a confirmar com as declarações do secretário regional das Finanças.

O Bloco está preocupado não só com a proteção dos direitos destes 640 trabalhadores da SATA Air Açores que vão mudar para a nova empresa que será privatizada, mas também com o próprio impacto que esta redução terá na operação interilhas da SATA.

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