O Bloco defende que os edifícios e os terrenos em áreas urbanas, que sejam propriedade da Região e não estejam em utilização devem ser destinados a habitação pública com arrendamento a preços acessíveis. Proposta apresentada hoje pretende travar imediatamente a venda de imóveis da Região que têm capacidade para vir a ser destinados à habitação.
Numa altura em que a Região atravessa uma grave a crise de falta de habitação, que afeta milhares de famílias, o Governo Regional tem à venda muitos edifícios, casas e terrenos em áreas urbanas, que devem ser utilizados para enfrentar este problema, aumentando a oferta a preços acessíveis.
“Temos um Governo que, em vez de reabilitar os seus imóveis, está a portar-se como uma imobiliária, colocando-os à venda”, lamentou o deputado do Bloco, junto à antiga “Casa da Vida Associativa”, um edifício devoluto que pertence à Região, situado no centro de Ponta Delgada.
Se este edifício não for reabilitado pela Região para habitação, “o seu destino será, provavelmente, mais um hotel ou mais um alojamento local”, assinalou António Lima, acusando o Governo de agravar a crise da habitação em vez de a tentar resolver.
“Numa altura em que toda a gente concorda que é preciso aumentar o parque público de habitação, não faz sentido que o Governo esteja a vender o parque público de habitação existente”, salientou o deputado.
“Vamos propor que não possam ser vendidos os imóveis da Região que são urbanos – casas e terrenos – suscetíveis de serem reabilitados ou onde se possa construir habitação” e que “haja uma prioridade à reabilitação e construção de habitação para arrendamento a preços acessíveis, que as pessoas possam pagar com os salários reais que existem nos Açores e com taxas de esforço aceitáveis”, explicou António Lima.
No último ano, os Açores registaram o segundo maior aumento do país no preço das casas: 23,9%, o que ajuda a perceber que, atualmente, alguém com um salário médio, ou até alguém com um salário de 2 mil euros “tem dificuldade em encontrar uma renda que consiga pagar”.