Bloco questiona Governo sobre procedimentos seguidos no atendimento a pessoas Surdas no Serviço Regional de Saúde

O Bloco de Esquerda questionou o Governo Regional sobre os procedimentos seguidos pelo Serviço Regional de Saúde no atendimento a utentes Surdos quando não estão acompanhados por um intérprete de Língua Gestual Portuguesa. O requerimento, enviado hoje, surge no seguimento da situação em que terá sido recusado o atendimento de uma utente Surda por um médico na urgência do Hospital de Ponta Delgada.

Segundo a edição impressa de abril do jornal Diário da Lagoa, uma utente Surda não foi atendida na sua vez, no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), por recusa médica baseada na barreira linguística com a utente, levando a que fosse atendida horas mais tarde por outro médico, que, segundo a mãe da utente, “acabou por aceitar realizar o atendimento”.

O Bloco de Esquerda quer saber se o Governo teve conhecimento desta situação e se foram implementadas medidas para evitar situações semelhantes no futuro.

O requerimento enviado ao Governo recorda que em 2018 foi aprovada uma resolução no parlamento dos Açores, por proposta do Bloco de Esquerda, que recomendava ao governo a disponibilização de apoio através de interpretes de Língua Gestual Portuguesa em todos os serviços públicos da Administração Pública Regional com vista a melhorar o acesso das pessoas Surdas aos serviços públicos, com especial atenção aos serviços na área da Saúde, para garantir que têm sempre apoio através de intérpretes de Língua Gestual Portuguesa.

O Bloco assinala, no entanto, que continuam a verificar-se dificuldades no acesso de pessoas Surdas aos serviços públicos, “o que constitui particular gravidade quando se trata do acesso a cuidados de saúde”.

A resolução aprovada em 2018 no parlamento dos Açores recomendava também que fossem realizadas ações de formação e sensibilização sobre a comunicação com a pessoa Surda, dirigidas às equipes médicas e demais funcionários que contactam diretamente com os utentes no Serviço Regional de Saúde. Por isso, o Bloco quer saber quantas ações de formação foram realizadas, desde então, com esta finalidade.

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