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Bloco vota contra o Orçamento e acusa partidos do Governo de ceder à chantagem do Chega para se agarrar ao poder a todo o custo

O Bloco de Esquerda vai votar contra o Orçamento da Região para 2022, um documento que prevê cortes na Saúde e no combate à pobreza e que é pouco credível porque tem contas que nem o próprio Governo consegue explicar. Numa reação às declarações de hoje do deputado do Chega, António Lima realça que os partidos do governo estão dispostos a “ceder a todo o tipo de chantagem para se agarrarem ao poder a qualquer custo”.

O deputado do Chega anunciou hoje que o voto a favor do Orçamento está dependente da atribuição de um apoio à natalidade, no valor de 1500 euros, do qual estão excluídos os beneficiários do RSI e anunciou que em breve haverá uma remodelação no Governo.

“O que isto significa é que alguém que tenha um salário de 5 mil euros por mês irá receber um apoio de pelo menos 1500 euros. Mas também significa que alguém que recebe 80 euros de RSI por mês, por exemplo, não tem direito a nada. Irão José Manuel Bolieiro e o PSD aprovar esta medida obscena que exclui os mais pobres para dar aos ricos?”, questionou o líder parlamentar do Bloco de Esquerda.

Quanto à remodelação do governo anunciada pelo deputado do Chega – um partido que nem integra o executivo – António Lima considera que é a “suprema humilhação” porque demonstra que “afinal quem manda na composição do governo regional é André Ventura e o Chega e não o presidente do governo como manda a constituição”.

“As perguntas a que o presidente do Governo tem que responder são: Quando será feita a remodelação? Quantas secretarias serão extintas e quais os secretários que serão demitidos?”, disse António Lima.

O deputado do Bloco de Esquerda assinala ainda que os acordos escritos que foram assinados para a constituição deste governo “não são para levar a sério porque, como se vê, podem ser alterados a qualquer momento”.

“Enquanto durar este governo a região viverá de polémica em polémica, de chantagem em chantagem, sempre à espera do episódio seguinte. No fim quem perde são os Açores”, concluiu António Lima.

Para afirmar caminhos alternativos “ao desastre em que se tornou este governo de direita liderado pelo PSD”, o Bloco de Esquerda vai apresentar propostas de alteração ao Orçamento que visam “melhorar as condições de vida nos Açores”.

Para isso, o Bloco propõe aumentar em 15€ as pensões mais baixas, subir o complemento regional ao abono de família para 30€, aumentar o investimento na habitação pública para arrendamento, reformar os transportes públicos, alterando o seu modo de funcionamento e baixando preços, e também melhorar salários, aumentando o complemento regional ao salário mínimo para 7,5%, fixando o salário mínimo nos Açores em 757€.

O Bloco vai propor também que as empresas apoiadas por dinheiros públicos tenham que manter 100% do emprego e a publicação anual de um relatório com todos os subsídios públicos atribuídos a empresas públicas e privadas e instituições sem fins lucrativos, para garantir transparência na utilização do dinheiro público.