O Bloco de Esquerda votou hoje a favor da constituição de uma Comissão de Inquérito à gestão da SATA que abrange os anos de 2013 a 2022. A proposta inicial do PSD, CDS, PPM, CDS e CH pretendia analisar apenas os anos de 2013 a 2019, mas o Bloco tornou de imediato público que os anos de 2020 a 2022 – já sob a gestão do atual governo – teriam que ser incluídos na Comissão de Inquérito, porque só assim estaria garantida a transparência.
Os anos de 2020 a 2022 não podiam ficar excluídos do trabalho desta comissão de inquérito, porque o Grupo SATA continua a registar resultados negativos com prejuízos avultados nos últimos anos, nomeadamente prejuízos de 34 ME na SATA Internacional e de 2,5ME na SATA Air Açores em 2022, e prejuízos de 50 ME na SATA Internacional e de 6,8 ME na SATA Air Açores em 2021.
Além disso, os auditores da SATA – a empresa PwC – expressam reservas às contas de 2022, afirmando que os “resultados do exercício se encontram sobreavaliados”.
Relativamente à dívida da SATA Internacional à SATA Air Açores, que cresceu 92 ME em apenas um ano, atingindo, no ano passado, o valor de 377 ME, os auditores afirmam que também “a rubrica de outras contas a receber encontra-se sobreavaliada”. Ou seja, os auditores consideram que não será paga toda a dívida da SATA Internacional à SATA Air Açores.
Tendo em conta o estado atual da companhia, seria inaceitável que os anos de 2020 a 2022 ficassem de fora o âmbito da comissão de inquérito.