Os Açores têm que estar preparados para enfrentar o interesse das grandes empresas multinacionais na exploração dos recursos do nosso mar, e a aposta no conhecimento científico é a melhor forma de o fazer. Hoje, em reunião com o reitor da Universidade dos Açores, a coordenadora do Bloco de Esquerda Açores, Lúcia Arruda, reiterou a importância da criação de um Centro Internacional de Investigação para as Ciências do Mar, partindo da experiência acumulada pelo Departamento de Oceanografia e Pescas da UAç, uma proposta que o BE tem vindo a defender há mais de 10 anos.
“O Governo de Passos Coelho e Paulo Portas fez aprovar legislação que permite que o nosso mar seja privatizado durante um período que pode ir até 50 anos”, lembrou Lúcia Arruda, considerando que “neste contexto, é fundamental criar conhecimento científico que permita uma fiscalização da exploração destes recursos e que garanta a sua sustentabilidade”.
Tendo em conta que o atual Governo da República já manifestou a intenção de instalar nos Açores um Observatório do Mar – embora ainda não seja claro que este projeto tenha os mesmos objetivos e a mesma abrangência defendidos pelo BE –, é fundamental garantir que a comunidade científica dos Açores tem um papel ativo e decisivo na definição da estratégia e da figura jurídica que deve ser adotada.
É neste sentido que surge a proposta do BE, que será votada no próximo plenário do parlamento dos Açores, que recomenda a criação de uma Comissão Científica Regional, com base na Universidade dos Açores, nomeadamente, na comunidade científica do Faial, para elaboração e definição da estratégia científica e de inovação do Centro, bem como, identificação dos recursos materiais, humanos e financeiros necessários à sua implementação a médio e longo prazo, em articulação com outras entidades, nomeadamente, com o Ministério do Mar e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, bem como outras entidades a nível nacional, europeu e internacional.