A Universidade dos Açores enfrenta graves dificuldades provocadas pelos sucessivos cortes que o Ministério da Educação tem vindo a aplicar, que representam uma redução de cerca de 10 por cento do valor transferido no último Orçamento, e que a Lei dos Compromissos só veio agravar. O alerta foi feito pelos responsáveis do pólo de Angra do Heroísmo da Uaç, aquando da recente visita efectuada pelo BE/Açores, que contou com a presença do coordenador nacional do BE, Francisco Louçã.
Durante a visita, o BE/Açores foi confrontado com os seguintes problemas:
- O desmantelamento de equipas de investigação, pelo facto de as verbas destinadas a pagar a manutenção dessas equipas terem sido mobilizadas para cumprir compromissos como salários e outras obrigações da Universidade;
- A dificuldade que os investigadores têm tido na concretização dos seus planos de investigação, pondo em risco os projectos de investigação pelo facto de a Universidade não dispor de liquidez;
- A ameaça do encerramento de cursos de Educação Básica, o Curso de Filosofia e Cultura Portuguesa, e Estudos Europeus, alguns funcionando em regime pós-laboral. Recorde-se que o curso de Educação Básica acompanha, desde sempre, o pólo de Angra e que tem um corpo especializado em Educação que, com este encerramento, se irá, aos poucos, desmantelar, perdendo o pólo de Angra do Heroísmo professores doutorados;
- As crescentes dificuldades dos alunos em pagar as propinas, cujo o atraso no pagamento se estima corresponder já a 30% do total de alunos. Para fazer face a esta situação o BE conseguiu aprovar na Assembleia Legislativa dos Açores uma bolsa para estudantes do Ensino Superior que percam o emprego, ou que se encontrem em situação de carência económica.
O BE/Açores considera que esta situação põe em causa o futuro do Pólo de Angra do Heroísmo e que, neste momento crítico, tem que ser devidamente acompanhada pelo Governo Regional, no sentido de procurar encontrar soluções, em conjunto com o Governo da República.