O Bloco de Esquerda criticou hoje a intenção manifestada pelo Governo da República em reduzir a Taxa Social Única (TSU) paga pelas empresas. Uma medida que apesar de não afectar directamente o rendimento mensal dos trabalhadores, vai levar à descapitalização da Segurança Social, o que, a prazo, será utilizado como desculpa para impor novas reduções nos apoios sociais e mais cortes nas reformas dos trabalhadores de todo o País, incluíndo os Açores.
“Esta proposta não passa de mais uma monstruosa transferência financeira do trabalho para o capital”, que tem como objectivo apoiar os fundos de investimento das companhias de seguros, e que, lamentavelmente, conta com o apoio do PS. Basta lembrar a reforma da Segurança Social levada a cabo pelo ministro Vieira da Silva.
A alteração da fórmula como se calculam os descontos do patronato para a Segurança social, deixando de ser apenas pelo número de trabalhadores, mas sim num modelo misto, entre o número de trabalhadores e o volume de negócios das empresas é a proposta do Bloco de Esquerda nesta matéria. Uma proposta que “permitiria aumentar os recursos da Segurança Social e diminuir as contribuições de empresas e sectores de mão-de-obra intensiva”, explicou Lúcia Arruda.
Apesar da insistência da deputada do BE, ao longo do debate, PS, PSD e CDS escusaram-se sempre a assumir uma posição clara sobre o recente anúncio de Passos Coelho sobre a diminuição da TSU para os patrões.
O silêncio do PS levou mesmo Lúcia Arruda a deixar uma pergunta no ar: “Seria interessante saber qual a posição do PS, que nada disse sobre a matéria, ou quer esquivar-se entre os pingos da chuva, agora, para vir depois das eleições fazer aquilo que a direita, agora, anuncia?”