“Qualquer tentativa de dividir a RTP/Açores em duas empresas será sempre uma forma de concretizar despedimentos que o Governo da República não quer, neste momento, assumir”, alerta Paulo Mendes, deputado do Bloco de Esquerda.
O BE considera inaceitável qualquer proposta que pretenda dividir a RTP/Açores, e defende que, sendo o cumprimento do Serviço Público de Rádio e Televisão nos Açores uma responsabilidade do Estado, a estação regional de rádio e televisão deve manter-se dentro do universo da empresa RTP, salvaguardando-se sempre a sua devida autonomia financeira, administrativa e editorial, assim como a existência dos actuais três centros de produção.
Paulo Mendes assinala que o presidente do Governo Regional – ao dizer que “se Poiares Maduro propuser a manutenção dos três centros de produção dos Açores, com autonomia financeira, autonomia administrativa, um orçamento para gerir, e um plano estratégico para cumprir” – veio ao encontro da posição do Bloco de Esquerda, que assenta na exigência intransigente do cumprimento das funções da República no que diz respeito ao Serviço Público de Rádio e Televisão nos Açores.
O deputado do BE salienta ainda que a RTP/Açores terá de manter-se uma empresa pública, de carácter generalista e um factor de coesão entre todas as ilhas do arquipélago, lembrando que o sector privado não dá a garantia do cumprimento deste objectivo.
O Governo Regional tem de ter uma posição dura e forte de rejeição a uma contínua sabotagem da RTP/Açores pelo Governo da República, que se materializa no desivestimento contínuo de que tem sido alvo: “As queixas que os açorianos tem sobre a qualidade do serviço da RTP/Açores são uma consequência do desinvestimento que dura há décadas e que tem vindo a assentuar a falta de meios técnicos e de recursos humanos”, critica Paulo Mendes.