Feminismo é importante para combater desigualdade de género que afeta mulheres açorianas de forma objetiva

Alexandra Manes considera que o feminismo é importante para impulsionar uma transformação social que garanta igualdade de direitos entre homens e mulheres e assinala que a desigualdade de género gera problemas muito concretos para as mulheres açorianas: salário mais baixo, violência doméstica e dificuldade de aceder a cargos de liderança. Com o atual governo de direita – apoiado pela extrema-direita – “não se pode contar para esta luta pela igualdade”.

“Feminismo para combater a pobreza e a exclusão social” foi o tema do debate que trouxe ontem a Angra do Heroísmo a eurodeputada do Bloco de Esquerda, Marisa Matias.

O debate contou também com a presença de Vítor Silva, sindicalista, Raquel Costa, da UMAR, Helena Fagundes, jornalista, e Catarina Frederico, estudante.

Na sessão de encerramento, a coordenadora do Bloco na Terceira chamou a atenção para várias consequências concretas que as mulheres açorianas sofrem, só por serem mulheres: “Basta olhar, por exemplo, para os dados da violência doméstica, em que a Região se destaca muito pela negativa em comparação com o resto do país” ou “reparar na diferença salarial entre homens e mulheres que desempenham funções e cargos idênticos”.

De acordo com o observatório do emprego, ser mulher trabalhadora numa empresa nos Açores significa ganhar, em média, menos 92,43€ do que os homens. “Uma desigualdade salarial brutal e inaceitável”, disse Alexandra Manes.

A dirigente do Bloco lembra que este é também um problema universal, apontando situações recentes, no país e no mundo, que mostram que há um longo caminho a percorrer na luta pelos direitos das mulheres: “quando vemos um homem, em pleno estádio de futebol, à frente de milhares de pessoas – e de milhões de espetadores através de uma transmissão televisiva – achar que pode dar um beijo na boca de uma mulher só porque está feliz e que toda a gente vai achar isso uma situação normal, ou quando vemos um Presidente da República achar que pode tentar fazer uma “piadinha” com o tamanho do decote de uma jovem e que tem o direito de avaliar a beleza desta jovem e da sua mãe, tudo com a maior naturalidade e em frente às câmaras, sabemos que ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar a igualdade entre mulheres e homens e que o feminismo é um movimento essencial para despoletar e dar força a esta transformação social”.

Alexandra Manes garantiu o empenho do Bloco nesta luta: “é preciso dar a volta a isto, é urgente passar uma mensagem clara a todas as mulheres para que, no seu dia a dia, reconheçam as limitações que lhes são impostas por esta sociedade. E que cada mulher perceba, e sinta, que não está sozinha”.

Relativamente ao papel do atual governo nesta transformação social que é necessária, Alexandra Manes é clara: “com este governo de direita – PSD, CDS e PPM – sabemos que não podemos contar”.

A coordenadora do Bloco explica: “Um governo conservador, que não teve qualquer problema em apoiar-se no Chega, um partido de extrema-direita, que despreza a liberdade da mulher, e que ainda vê a mulher à luz do século passado, é um governo com que não se pode contar para garantir o avanço que os Açores precisam neste caminho”.

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