Governo abandona projecto em São Jorge por não poder ‘domar’ participação dos cidadãos

 

A líder do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda na Assembleia Legislativa dos Açores acusa o PS de ter abandonado o Eco-Museu de São Jorge - projecto estruturante para o desenvolvimento da ilha - por considerar que a iniciativa constituia um perigo uma vez que não poderia vir a ser 'domada' pelo Governo Regional.

"E não é o Bloco de Esquerda que o diz", referiu Zuraida Soares, citando, de seguida, o programa eleitoral do próprio Partido Socialista para as Regionais de 2008, que na página 155, depois de elogiar o projecto que contou com a participação activa de grande parte da população da ilha de São Jorge, considera que este "pode pecar por não ser domável pela administração".

"Um Governo que se recusa a ouvir as pessoas, que boicota as dinâmicas genuínas das comunidades, porque teme não as controlar, das duas, uma: ou tem consciência que governa mal, ou põe a democracia na gaveta e tornou-se autoritário", disse a deputada.

"O Governo do PS não ouve as pessoas", lamentou a deputada do BE em conferência de imprensa realizada no âmbito da visita oficial do grupo parlamentar a São Jorge, referindo outros exemplos em se verificou esta "surdez" do Governo Regional: constituição do Parque Natural da ilha, encerramento de serviços públicos de proximidade como escolas ou a repartição de finanças, ou a recente alteração do modelo de produção do queijo de São Jorge, do sistema artesanal para o industrial, sem que isto trouxesse as vantagens prometidas.

Zuraida Soares  considera que as escolhas têm vindo de cima para baixo, sendo impostas com recurso a ameaças do tipo "ou isto, ou nada", lamentou.

"Ninguém compreende que o melhor queijo do País, produzido em São Jorge, não traga qualquer benefício a quem o produz", disse a deputada, acrescentando que "receber 22 cêntimos por litro de leite e ter que esperar três meses pelo pagamento do trabalho dos agricultores não é dignificar um dos ex-libris de São Jorge.

O deputado José Cascalho considera mesmo que é necessário reavaliar o actual sistema de produção de queijo: "Que impacto teve a alteração do sistema? É sustentável? Como é que se sentem os agricultores acerca do prémio ganho pelo queijo de São Jorge?", foram algumas das questões deixadas no ar.

A deputada do BE criticou ainda as obras da baía das Velas. Ninguém se revê no que está ali feito.

O deputado José Cascalho salientou também a importância da Escola Profissional de São Jorge, defendendo uma gestão articulada das escolas da Região, que em vez de competirem entre si, devem organizar-se no sentido de oferecer cursos que tornem cada uma delas emblemática, e sugerindo a ligação à Universidade dos Açores, assim como uma aposta no e-learning.

Share this