O Bloco de Esquerda acusa o Governo Regional de uma enorme incoerência, por autorizar a caça de aves de espécies protegidas – pombo torcaz, melro preto e estorninho –, em áreas de paisagem protegida – vinha do Pico e Biscoitos, na Terceira – uma prática que “nada tem a ver com a imagem de natureza intocada que se está a vender dos Açores”.
“Imaginem o novo slogan de publicidade do arquipélago: Venha aos Açores, onde as vaquinhas são felizes, caçar aves de espécies protegidas, em áreas de paisagem protegida, que são património mundial”, ironizou a deputada Zuraida Soares para assinalar o ridículo da situação criada por despachos do Governo Regional.
Mas a incoerência não fica por aqui, porque, ainda o mês passado, o próprio director regional do Ambiente revelou que o Governo Regional está a disponibilizar canhões de gás e diversos equipamentos destinados ao afugentamento de aves selvagens nas áreas protegidas da cultura da vinha do Pico e dos Biscoitos na Ilha Terceira, e que estão em ensaio técnicas com odor repelente e redes anti-aves.
Ou seja, num dia o director regional revela a disponibilização de técnicas ecológicas de afugentamento de aves para as culturas da vinha do Pico e dos Biscoitos, mas apenas dois dias depois, entra em vigor o período de autorização de abate destas aves, assinalou Zuraida Soares.
Perante a argumentação do Governo Regional, de que haveria uma grande praga destas aves, a deputada do BE lembrou que nos últimos três anos apenas um proprietário – o mesmo, todos os anos – solicitou autorização para abater estas aves nos seus terrenos.
“O Governo fala numa grande praga... mas apenas um agricultor pediu autorização, repetidamente, nos últimos três anos. Apenas um!”, frisou Zuraida Soares, deixando o membro do Governo e o PS sem conseguir dar explicações para este facto.
O Bloco de Esquerda salientou que o Governo Regional não apresentou qualquer evidência científica que comprove a existência de um número excessivo destas espécies de aves, e que “não basta a existência de queixas por parte de alguns proprietários para que se implemente imediatamente uma excepção à lei”.
“Uma excepção tem que ser sempre muito bem fundamentada”, insistiu.