“A maioria de direita que governa os Açores prometeu salvar a SATA, mas hoje está cada vez mais claro que o que tem sido feito é desmantelar a SATA”, acusa o Bloco de Esquerda, que procurou travar o processo de privatização do handling da companhia, que inclui 65% dos trabalhadores da SATA Air Açores, e que é fundamental para a operação inter-ilhas.
O Bloco defende um caminho alternativo para a SATA “que não se resigna ao falhanço, que acredita na SATA e nos seus trabalhadores e que defende o superior interesse dos Açores, acima de tudo”.
Por isso, o Bloco levou ao parlamento uma proposta para travar o processo de privatização da nova empresa de handling – que será um enorme erro – e uma proposta que recomendava ao governo que procurasse um acordo estratégico entre SATA e a TAP, que permitisse reforçar a conectividade dos Açores, criar ganhos de escala e eficiência e aumentar a resiliência operacional. Ambas as propostas foram rejeitadas.
“O Grupo SATA não pode ser desmontado peça a peça: primeiro a SATA Internacional, depois a SATA Handling e no fim a própria capacidade de decisão da Região”, alertou António Lima.
Perante o objetivo de privatizar a SATA Internacional em apenas seis meses, o Bloco salienta que o governo está a escolher um caminho que só tem dois destinos possíveis: a insolvência ou a venda danosa.
“O que queremos é renegociar o plano de reestruturação”, afirmou António Lima, que acusou o governo de preferir “esconder a cabeça na areia e esperar que a partir de 31 de dezembro o problema esteja resolvido”. “Não vai estar”, concluiu.
O deputado do Bloco receia que o governo esteja a planear uma dupla subsidiação ao serviço de handling no futuro – o que será ilegal. Isto porque o concurso lançado este mês para as novas Obrigações de Serviço Público inter-ilhas, no valor de 250 milhões de euros, inclui o serviço de handling, mas hoje o secretário regional das Finanças admitiu que poderá vir a ser criadas Obrigações de Serviço Público para a empresa que vier a realizar o handling no futuro.
Ou seja, a Região irá pagar duas vezes pelo serviço de handling.
António Lima concluiu o debate chamando a atenção que o que está em causa “não é apenas uma empresa, é a Autonomia da Região, é a sua economia e é o direito à mobilidade”.