O Bloco de Esquerda acusa o presidente do Governo Regional de estar mais preocupado em conseguir a instalação de uma nova infraestrutura militar estrangeira na Terceira do que em garantir a defesa da saúde da população da ilha Terceira.
Esta é a conclusão que se retira da postura do presidente do Governo Regional, que ameaçou pôr em causa o acordo de Cooperação e Defesa entre os EUA e Portugal caso os EUA não apoiem a instalação do Centro de Segurança do Atlântico da NATO na Base das Lajes, mas não tem a coragem de assumir uma posição de força idêntica perante o “grave atentado ambiental de dimensão gigantesca” que é a contaminação dos aquíferos das Lajes, provocada pelos EUA.
“Será a guerra, e a nossa participação na guerra dos outros, mais importante que a saúde dos Terceirenses?”, questionou António Lima, que considera a contaminação ambiental na Praia da Vitória um “problema sério e urgente”, que “não tem tido o mesmo tratamento” do que a potencial criação de novas infraestruturas militares naquele concelho.
O BE insiste que esta aposta na manutenção e criação de infraestruturas militares é um entrave ao desenvolvimento económico da Terceira, porque impede o aproveitamento do grande potencial do porto e do aeroporto da Praia da Vitória para fins comerciais e civis.
O deputado do BE alerta mesmo que “o AIR Center não terá qualquer infraestrutura na Terceira porque, por vontade por Governo Regional, esta ilha está reservada para a componente militar”.
Ainda no que diz respeito ao ambiente, o BE referiu notícias que dão conta de que “a contaminação não se deve apenas a hidrocarbonetos, mas também a outras substâncias de igual ou, nalguns casos, muito maior toxicidade”, e perguntou ao Governo se não se deveria “alargar a pesquisa a outras áreas e substâncias de forma a permitir uma visão clara e fidedigna de todo o processo, e dessa forma tranquilizar as populações?”.