O Bloco de Esquerda considera que o atual conselho de administração da SATA está a agir como uma comissão liquidatária com a missão de desmantelar a companhia aérea em vez de se focar em defender os interesses estratégicos da SATA e da Região. Num dia de audições no parlamento sobre a privatização do ‘handling’, os representantes dos trabalhadores demonstraram partilhar as preocupações do Bloco em relação às consequências negativas para a sustentabilidade da empresa e para a mobilidade interilhas.
Na audição do presidente do Conselho de Administração da SATA, o deputado do Bloco perguntou se a privatização do ‘handling’ seria uma boa decisão de gestão para a SATA e se tomaria esta decisão se ela não fosse imposta pelo acionista.
Tiago Santos, CEO da SATA, acabou por confirmar que o ‘handling’ era o único ativo do Grupo que podia funcionar como moeda de troca pela autorização da Comissão Europeia de uma ajuda de Estado ao Grupo SATA.
“A conclusão a que se pode chegar” a partir desta resposta do CEO da SATA “é que a decisão será prejudicial para a SATA”, afirmou António Lima, que considerou que a atuação do conselho de administração se assemelhava mais ao trabalho de uma comissão liquidatária, que se limita a executar a decisão do Governo Regional, mesmo que isso seja prejudicial.
Nas audições da Comissão de Trabalhadores e dos sindicatos – SITAVA e SINTAC – ficou claro que partilham muitas das preocupações que o Bloco tem trazido a público quanto às consequências negativas possíveis da privatização do ‘handling’ para a sustentabilidade da empresa e acima de tudo para a mobilidade interilhas.
Em relação à segurança dos trabalhadores que vão transitar para a empresa de ‘handling’ que será criada e posteriormente privatizada, António Lima assinala que os receios da existência de despedimentos coletivos têm fundamento, tendo em conta situações ocorridas em outros aeroportos do país nos últimos anos, nomeadamente o despedimento de 300 trabalhadores pela Menzies em Lisboa e de 400 trabalhadores pela Portway em Faro.