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Incineração nos Açores será erro ambiental e económico

 

“Não queremos que ilhas como Corvo, Flores, Graciosa ou Santa Maria tornem o lixo no seu principal produto para exportação”. Foi desta forma que a deputada Zuraida Soares terminou a sua intervenção no âmbito da petição contra a instalação de incineradoras em São Miguel e na Terceira, que o Bloco de Esquerda considera um erro, não só a nível ambiental, mas também a nível económico.

Este é um cenário que se tornará realidade caso a incineração avance: o lixo produzido nas várias ilhas será exportado para São Miguel e para a Terceira, como forma de tentar garantir as quantidades mínimas de lixo queimado que garantam a viabilidade económica do projecto.

Manifestando, mais uma vez, a rejeição da incineração nos Açores, a deputada do Bloco no parlamento açoriano aponta alternativas: a construção de centrais de tratamento mecânico e biológico e de centrais de valorização orgânica, realizando a compostagem dos resíduos orgânicos, que produz, não só biogás, como também composto orgânico que pode ser aproveitado para a agricultura.

“Esta é uma solução que não só é mais barata para os Açorianos e Açorianas, como é também a que permitirá criar mais emprego”, alertou Zuraida Soares, lembrando que a instalação da infraestrutura da incineração em São Miguel poderá atingir os 94 milhões de euros, e que o investimento em incineradoras não termina com a sua instalação: “há que considerar uma série de custos associados ao controlo das emissões com partículas perigosas para a saúde e a gestão de aterros para resíduos perigosos, simultaneamente, ao tratamento de lixiviados gerados nesses aterros”.