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Novas regras criadas pelo Governo promovem a promiscuidade entre público e privado e práticas corruptivas na Saúde

O Governo Regional está a criar um Serviço Regional de Saúde que vai dar prioridade no atendimento nos hospitais a quem pode pagar e em que “quem não pode pagar vai para as listas de espera dos pobres”. Em causa estão as regras criadas por este Governo que coloca os meios complementares de diagnóstico e terapêutica do Serviço Regional de Saúde ao dispor das clínicas e hospitais privados, promovendo a promiscuidade entre o sector público e privado.

António Lima salienta que estas novas regras de prescrição de meios complementares de diagnóstico e terapêutica, publicadas no passado dia 30 de agosto, “são perversas do ponto de vista ético e moral” e vão potenciar “práticas corruptivas”.

“Quem nos garante que os doentes que pagam as consultas no privado não serão privilegiados no acesso aos meios de diagnóstico do Serviço Regional de Saúde em relação aqueles que não têm outra saída que não estar nas listas de espera do serviço público?”, disse o deputado do Bloco de Esquerda.

António Lima exemplificou os problemas concretos que estas novas regras podem criar: “Duas pessoas vão ao médico no mesmo dia, com a mesma patologia. A mais pobre vai ao serviço público. Outra mais abonada consegue ir ao mesmo médico no consultório privado. A pessoa que vai ao serviço público vai para a lista de espera da consulta de especialidade, a que vai ao setor privado tem consulta uma semana depois. O médico, sentado na cadeira do consultório privado, prescreve ao fim de uma semana um TAC ao doente. O doente do setor público só tem o mesmo exame dois meses depois”.

Fica assim demonstrado que “quem pode pagar, não espera para utilizar os meios do Serviço Regional de Saúde”, e “o Bloco de Esquerda não pode aceitar esta situação”, disse António Lima.

Num debate sobre o Serviço Regional de Saúde promovido pelo Bloco de Esquerda, António Lima abordou ainda as trapalhadas do Conselho de Administração do Hospital de Ponta Delgada nomeadamente a demissão da diretora financeira à revelia da administradora que tutelava esta área e que, por isso, acabou por se demitir também, as nomeações do marido da presidente do Conselho de Administração para vários cargos no hospital, e a nomeação da mulher do diretor clínico para diretora de um serviço, a acumulação ilegal do cargo de diretor clínico com a atividade médica em clínica privada, e ainda a demissão do diretor de informática que foi expulso das instalações sem que tenha sido realizado sequer um inquérito para apurar responsabilidades.

Recorde-se que o anterior Conselho de Administração foi demitido pelo Governo devido a “alegados problemas internos que chegavam ao domínio público”. Por isso, António Lima conclui que “se fossem reais os motivos da demissão do anterior Conselho de Administração, o atual não teria durado 6 meses”.

“Só os arranjos políticos da coligação poderão justificar a substituição do anterior Conselho de Administração e a nomeação e manutenção do atual”, disse ainda António Lima.