Opção do Governo pelo endividamento zero está a provocar enorme aumento na dívida da Região aos fornecedores

Os partidos que aprovaram o último orçamento da Região – CH, IL e PAN e o deputado independente – estão a querer distanciar-se dos resultados desastrosos da governação do PSD, CDS e PPM: o recurso à dívida financeira está a ser pelo aumento da dívida aos fornecedores, o investimento público real é muito baixo e os apoios públicos estão a sofrer cortes em várias áreas.

António Lima lembrou que CH, IL e PAN votaram a favor do Orçamento para 2023, cuja principal medida era o endividamento zero, mas agora, “quando começam a surgir os problemas” querem “pôr-se fora da fotografia”.

“O Bloco de Esquerda, ao contrário da direita, não diaboliza o recurso ao endividamento para fazer face ao investimento público, para melhorar as condições de vida das pessoas ou, por exemplo, para as apoiar no contexto de uma crise”, explicou o deputado do Bloco.

António Lima assinalou que este governo “investe pouco no que é essencial” e “não acode às pessoas”, e deu o exemplo do setor da Saúde, cujo investimento real, em 2021, foi quase todo adiado para 2022 ou simplesmente não foi executado.

Perante o forte aumento da dívida pública em 2021 e 2022 – da responsabilidade do governo de coligação – o governo decidiu não contrair dívida em 2023.

“A região não recorre ao aumento da dívida financeira mas coloca os fornecedores a financiar o déficit”, acusou António Lima, apontando que “a direita, incluindo a Iniciativa Liberal e o Chega, aplaudem que sejam os fornecedores a emprestar à região e não a banca”.

Além disso, são as entidades que recebem apoios públicos que estão a suportar também a opção do endividamento zero, porque estão a sofrer cortes radicais em relação aos apoios que recebiam em anos anteriores.

“Este governo não tem uma estratégia de desenvolvimento que promova o desenvolvimento social e económico, o combate à pobreza, a melhoria dos serviços públicos nem a criação de uma economia mais qualificada”, disse António Lima, acrescentando que “a dívida e o endividamento zero são a desculpa para não se resolverem os problemas da região e quem sofre são os açorianos e as açorianas". 

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