Bruno da Ponte nasceu em Ponta Delgada, em 1932. Formou-se em Economia, em Lisboa, mas foi na área da Cultura que se evidenciou. Foi coordenador editorial da Teorema e fundou a Editorial Minotauro, a qual, pelo teor da sua atividade, foi encerrada pelo regime de Salazar.
Fundou também a Edições Salamandra, que se manteve em atividade até 2014, e que, entre muitas obras de autores portugueses e estrangeiros, publicou, na sua Colecção Garajau, 121 títulos de autores açorianos e de autores que se debruçaram sobre temas açorianos.
Ainda na área da literatura, Bruno da Ponte foi tradutor para as editoras Livros do Brasil, Editorial Estampa e Publicações Alfa Bertrand, tendo traduzido, por exemplo, Chomsky, Beauvoir ou Jacques Gernet.
Bruno da Ponte foi jornalista no Jornal de Letras e Artes, nos anos 60, e fundador da revista “Questões e Alternativas”. Durante o exílio a que foi obrigado, por combater o Estado Novo, Bruno da Ponte deu aulas na Universidade de Edimburgo e trabalhou na editora britânica DEFA.
Nos últimos anos da ditadura, fez parte do Partido Revolucionário do Proletariado, tendo sido responsável pelas relações internacionais deste partido, após o 25 de Abril de 1974.
Já nos anos 80, a convite do Governo de Moçambique, foi diretor da Escola de Jornalismo de Maputo. Foi um dos fundadores da Associação Cultural Abril em Maio, em 1994, tendo a mesma mantido atividade durante 10 anos.
Era militante do Bloco de Esquerda desde 2002. Participou em várias campanhas políticas – inclusivamente, como candidato e mandatário -, tanto a nível nacional, como regional.
Bruno da Ponte deixou a sua marca na cultura portuguesa e deu um contributo, firme e determinado, no combate pela defesa da democracia, em Portugal.
Em 2010 foi distinguido com a insígnia de “Mérito Cívico” pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
Estas singelas notas biográficas provam a riqueza e diversidade do percurso de vida de Bruno da Ponte. Mas não permitem adivinhar a pessoa encantadora de que estamos a falar. Exigente, nas convicções, intransigente, nos compromissos assumidos, visionário, nas múltiplas possibilidades de que os ‘amanhãs’ se revestem, corajoso, vertical e persistente, como poucos.
E, sobretudo, um magnífico contador de histórias – verídicas, vividas e reflectidas -, resultantes das incontáveis experiências e encontros improváveis, com políticos, escritores, artistas e cidadãos anónimos, de diferentes nacionalidades e opções políticas.
Durante toda a sua vida, nada do que é humano lhe foi alheio ou indiferente. Também por isso, manteve inabalável a certeza de que é possível construir um mundo diferente, um mundo melhor, um mundo decente. E nunca deixou de dar o seu contributo assertivo e esperançoso para esta luta.
Assim, nos termos regimentais e estatutários aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, propõe à Assembleia Legislativa da Região dos Açores, a aprovação de um voto de pesar pelo falecimento de Bruno da Ponte, do qual deve ser dado conhecimento à sua família.