O parlamento dos Açores aprovou hoje por unanimidade dois votos de saudação apresentados pelo Bloco de Esquerda que assinalam o 25 de Abril e o Dia Internacional do Trabalhador, celebrando as conquistas alcançadas e lembrando o que ainda está por conquistar.
Vera Pires levou à tribuna do parlamento dos Açores um voto de saudação pelo 49º aniversário da revolução de 25 de Abril, que originou “a vitória da liberdade e da democracia contra o fascismo e a opressão permitiram iniciar a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e fraterna” e que abriu o caminho à conquista da autonomia político-administrativa dos Açores.
“As conquistas económicas e direitos de cidadania alcançados com a revolução de Abril não são irreversíveis e devem ser defendidos e protegidos contra a exploração laboral, as discriminações e a violência. Manter vivo o espírito de Abril implica aprofundar a democracia e combater as desigualdades e a exclusão social”, assinalou a deputada do Bloco.
Vera Pires apontou ainda a “perda de poder de compra, o desemprego e a precariedade laboral” como “ataques aos direitos de quem trabalha e um obstáculo à liberdade”.
“Temos de ser firmes no seu combate. Não há verdadeira democracia quando a desigualdade e a exclusão social afetam ainda tanta gente, privando-a de muitos dos direitos básicos que Abril nos deu”, concluiu.
Na apresentação do voto sobre o Dia Internacional do Trabalhador, o deputado António Lima, saudou “todas as lutas das trabalhadoras e dos trabalhadores dos setores público, privado e social, por condições de trabalho dignas, salários justos e contra todas as formas de precariedade ou exploração, e a coragem de todos e todas que exigem dignidade, democracia e progresso social, emprego com direitos, salário e pensões dignas e serviços públicos de qualidade”.
O deputado lembrou também que, “em Portugal, foi a explosão da democracia, a partir de 25 de abril de 1974, que marcou o início de uma conquista de direitos até aí negados: cuidados de saúde públicos, educação, habitação, o direito ao trabalho e ao salário, o reconhecimento às férias e respetivo subsídio, a proibição dos despedimentos sem justa causa e a instituição, pela primeira vez, de um salário mínimo nacional” e que “foi também após esta data que se consagraram o direito à greve, à contratação coletiva e à organização sindical, bem como uma nova forma de organização dos trabalhadores, as Comissões de Trabalhadores”.