O parlamento dos Açores aprovou hoje um voto de saudação do Bloco de Esquerda pelo Dia Mundial dos Refugiados, que se assinala a 20 de junho. O voto – aprovado por todos os partidos, exceto pelo Chega – defende que é necessário encontrar soluções para o acolhimento digno e solidário dos refugiados nos países recetores e soluções globais para resolver os conflitos e os problemas que provocam estes fluxos migratórios.
“Não podemos esquecer a nossa história. Portugal, e os Açores, em diferentes épocas e por diversos motivos, viram partir milhares de famílias para outros países, um pouco por todo o mundo, à procura de uma vida melhor. Temos a obrigação de estar solidários com quem, hoje, foge da guerra, da fome, da miséria, da discriminação, da perseguição, e sonha com uma realidade diferente, sonha com uma vida com dignidade”, disse Alexandra Manes, a deputada do Bloco que apresentou o voto.
A deputada lembrou que “ninguém abandona a terra em que nasceu, arrisca a vida no mar em embarcações precárias, deixando para trás família e amigos, de ânimo leve”, que o faz para fugir “da guerra, da fome, da violência e do caos climático na esperança de encontrar uma vida segura na Europa”.
De acordo com a diretora nacional do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, o número de pessoas forçadas a fugir registou “o maior aumento de sempre, desde o final de 2022 em relação ao final de 2021, um aumento de 19 milhões de pessoas", ultrapassando atualmente os 110 milhões pessoas refugiadas em todo o mundo.
O relatório anual “Tendências Globais”, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, refere que a invasão da Rússia à Ucrânia causou uma das maiores crises de deslocamento desde a Segunda Guerra Mundial na Europa.
“A juntar a isso, continuamos a assistir, a um ritmo absolutamente inacreditável, a situações de naufrágios que dizimam centenas de vidas de quem tenta desesperadamente, por via marítima, sem quaisquer condições de segurança, cruzar o mar Mediterrâneo para chegar à Europa", acrescentou a deputada.
“Nenhum ser humano é ilegal”, disse Alexandra Manes, apelando à solidariedade e ao respeito pelos Direitos Humanos.