Apesar de os preços dos alimentos continuarem a subir, deixando cada vez mais famílias açorianas com dificuldades em comprar comida, o parlamento rejeitou hoje uma proposta do Bloco que pretendia obrigar o governo a criar um cabaz de bens alimentares essenciais com preços controlados.
António Lima acusou os partidos que impediram a aprovação da proposta – PSD, CDS, PPM, IL e PS – de terem optado por defender os interesses de quem está a ganhar com a inflação e com a crise, em vez de estarem ao lado das famílias.
“A comida não é um luxo, por isso é urgente controlar os preços dos alimentos”, disse o deputado do Bloco.
O Bloco pretendia colocar na legislação uma norma que obrigasse o governo a criar um cabaz de produtos alimentares com preço acessível sempre que a inflação dos alimentos tivesse um aumento superior a 4% no período de um ano.
Desde setembro do ano passado que a inflação nos alimentos nos 12 meses anteriores é superior a 4%. Em março a inflação nos produtos alimentares fixou-se em 21,32%.
“As famílias açorianas não podem esperar mais”, disse o deputado António Lima, que apontou um recente estudo da DECO que mostra que “77,1% das famílias açorianas enfrentaram em 2022 dificuldades financeiras e que 44% dos agregados familiares sentiram dificuldade em suportar as despesas alimentares”.
“Numa região pobre, em que cerca de 37% dos trabalhadores por conta de outrem auferem o salário mínimo, o governo não revelou qualquer sensibilidade ao aumento de preços nos produtos alimentares essenciais”, lamentou o deputado do Bloco, que considera que “é urgente agir para evitar o aumento do empobrecimento e das desigualdades nos Açores”.