No seguimento de uma intervenção do presidente do Governo em tom de autoelogio aos primeiros meses de governação, António Lima recomendou “menos festa e mais responsabilidade”, e considerou que seria mais importante saber qual a estratégia do Governo para enfrentar a crise provocada pela pandemia e para o desenvolvimento dos Açores.
O deputado do Bloco de Esquerda disse ainda que a comunicação proferida hoje por Bolieiro no parlamento foi um “autoelogio precoce” que “procura disfarçar a ausência de estratégia para o futuro, quer para responder à crise, quer para o desenvolvimento dos Açores”.
“Seria muito mais importante, nesta altura, fazer um ponto de situação sobre a estratégia imediata para responder à crise nos próximos meses e nos próximos anos”, mas o presidente do Governo decidiu autoelogiar a sua atuação nos primeiros oito meses de governo.
António Lima assinalou, no entanto, algumas ausências no discurso elogioso do presidente do Governo, nomeadamente sobre problemas ambientais, sobre o combate à precariedade e sobre o sector da cultura.
O presidente do Governo “falou sobre ambiente, mas continua sem dizer o que fará, e como fará, a regulação da construção de empreendimentos turísticos”, que está a descaracterizar particularmente a ilha de São Miguel, e manteve o silêncio ensurdecedor sobre o projeto da incineradora de São Miguel.
“O processo de regularização de precários da administração pública continua a ser feito apenas pelos dirigentes, sem contraditório dos representantes dos trabalhadores, como propôs o BE”, e “os programas de emprego não são mais do que uma recauchutagem dos programas anteriores, que seguem a mesma estratégia, fomentando a precariedade, como fazia o anterior governo”, disse António Lima.
O deputado do Bloco disse ainda que “na cultura, reina o desnorte e o desinvestimento”.
“Antes de celebrar os êxitos do governo, é preciso olhar para o que está por fazer, e a crise é ainda intensa. Os tempos que se seguirão são desafiantes e a prudência manda um pouco de menos festa e mais responsabilidade”, concluiu António Lima.