O plano de combate à pobreza do Governo Regional “não está à altura da gigantesca crise social” existente nos Açores, alertou o deputado António Lima, referindo-se aos dados do recente estudo do Instituto Nacional de Estatística que revela que “cerca de 75 mil açorianos estão em risco de pobreza ou de exclusão social”. A crescente precariedade laboral – que o Governo Regional pratica na administração pública e incentiva no sector privado – é um dos fatores que mais contribui para as desigualdades sociais.
As taxas de risco de pobreza na nossa Região são as maiores do país. A taxa de risco de pobreza nos Açores atinge 31,5% dos açorianos e açorianas, enquanto a média nacional se cifra em 17,3%.
“É esta a triste realidade com que nos deparamos”, lamentou o deputado do BE, que apontou a precariedade laboral como um dos aspetos que mais contribuem para que o risco de pobreza seja tão elevado.
No que diz respeito à precariedade laboral, António Lima não poupa críticas ao Governo Regional, que acusa de promover a precariedade na própria administração pública e de incentivar o sector privado a fazer o mesmo.
“O abuso dos programas ocupacionais, a lógica de compressão salarial que preside ao novo modelo de financiamento do sector social, o uso e abuso de precários em organismos públicos, como na RIAC, na Rede Valorizar, ou os cerca de 500 professores precários” são “um mau exemplo no combate à pobreza e um incentivo ao sector privado para continuar com as suas más práticas”.
“A precariedade é um fantasma em crescimento”, disse António Lima. Daí a insistência do BE em medidas de combate a este “grande flagelo”.