O Bloco de Esquerda acusa o Governo Regional de estar a preparar despedimentos na SATA, assim como a privatização da companhia aérea açoriana. Embora o secretário regional do Turismo e Transportes rejeite estas acusações, é o próprio Plano Estratégico da SATA – que está a ser discutido hoje no parlamento – que confirma os receios do Bloco de Esquerda, quando aponta para a “redução do headcont médio do backoffice” e para a “diversificação de capital” da empresa.
De acordo com a terminologia empresarial, ‘headcount’ significa ‘número de trabalhadores’. Se a SATA vai reduzir este ‘headcount’, significa que vai reduzir o número de trabalhadores.
Se a SATA é detida exclusivamente por capitais públicos – sendo a Região o único accionista – e se o Plano Estratégico determina a diversificação de capital, isto significa que a abertura a capitais privados é a solução apontada. “Falta saber que percentagem será vendida e a quem”, disse a deputada Zuraida Soares.
Não é possível fazer outra interpretação do conteúdo do Plano Estratégico da SATA.
Perante a gravidade das soluções apresentadas no documento que pretende efectuar alterações profundas na companhia aérea dos Açores, a deputada do Bloco de Esquerda considera que o documento não é um “plano estratégico”, mas um “plano de emergência”.
Esta situação de emergência é o resultado de um trabalho incompentente, irresponsável e insustentável quer do Governo, quer dos sucessivos conselhos de administração, acusou Zuraida Soares. “Ou isso, ou há interesses económicos obscuros”, concluiu.