Política do governo para o turismo é um desastre: a desregulação gerou insustentabilidade nas empresas e crise na habitação

A política do atual governo para o turismo é um desastre: a atribuição de apoios públicos para a criação de alojamento levou a um crescimento desregulado da oferta que gerou insustentabilidade para os empreendimentos turísticos e contribuiu para agravar a crise da habitação. A este cenário junta-se o processo de privatização da SATA Internacional – ou o eventual encerramento da companhia aérea – que vai trazer problemas ainda mais graves para o setor do turismo e para toda a economia.

Num debate sobre turismo, esta manhã no parlamento, António Lima criticou a estratégia de crescimento descontrolado, com a atribuição de apoios públicos, que fez o número de camas aumentar de 11 mil para 35 mil entre 2018 e 2024.

“Para encher estas camas e garantir que as empresa do setor não vão à falência, não é preciso o mesmo número de turistas de 2018, é preciso o triplo dos turistas”, apontou António Lima, para mostrar o desequilíbrio no setor e explicar que a análise ao setor do turismo não pode ficar pelas estatísticas do número de passageiros ou de dormidas.

E o problema vai continuar a agravar-se porque, apesar deste cenário, “o governo continua a dar subsídios para aumentar a oferta”, mesmo quando toda a gente já percebeu que “este caminho é insustentável, porque o negócio não vai dar para todos e não pode crescer infinitamente”.

A situação do Alojamento Local é muito preocupante. Existem atualmente 4400 AL nos Açores, mas em janeiro de 2026 apenas 1216 tiveram movimento, e a taxa de ocupação destes 1216 foi de apenas 16,8%. Ou seja, “a taxa de ocupação real, contando com o total de AL é irrisória”.

António Lima lembrou que o Bloco avisou para a insustentabilidade deste crescimento e para os riscos de ter uma economia sustentada no turismo. Hoje, perante o pânico no setor, “os que queriam menos estado e desregulação, clamam agora pelo estado pedindo mais subsídios”.

O Bloco defende que “é preciso evitar falências e desemprego, mas acima de tudo é preciso corrigir a política”.

Por isso, o partido defende que é preciso regular o setor do turismo com a aprovação urgente do plano de ordenamento turístico, é preciso acabar com os subsídios a novos empreendimentos turísticos e ao Alojamento Local, porque já há excesso de oferta, e é preciso criar um programa voluntário de conversão de AL em arrendamento a longo prazo, que será positivo para o turismo e para resolver a crise na habitação.

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