O Bloco de Esquerda considera que o Programa de Governo apresentado esta semana no parlamento por Vasco Cordeiro “acentua as desigualdades sociais” e não demonstra qualquer “alteração significativa em relação ao passado”, disse a deputada Zuraida Soares, na intervenção de encerramento. O Bloco de Esquerda votou contra o Programa de Governo para os próximos quatro anos.
Perante a persistência, na Região, de uma enorme taxa de desemprego, do reforço das desigualdades sociais, e do aumento de pobreza, “exigiam-se medidas avançadas, mais abrangentes, incisivas e audazes”, mas o Governo suportado pelo PS optou por anunciar mais um pacote de medidas de apoio às empresas.
A deputada salienta que o BE não está contra o apoio às empresas – “prova disso mesmo é o facto de ter votado sempre a favor dos programas que perseguem este objetivo” – mas exige contrapartidas que também beneficiem os trabalhadores, nomeadamente a obrigatoriedade de que as empresas apoiadas por dinheiros públicos garantam contratos sem termo a 75% dos seus empregados.
“Uma proposta singela, mas liminarmente recusada pelo Governo Regional”, salientou Zuraida Soares, que acusou mesmo o executivo do PS de decretar a precariedade para os trabalhadores, e decretar as regalias para os empresários.
O BE ainda ouviu com agrado a proposta de integração de trabalhadores precários, anunciada por Vasco Cordeiro, mas “o entusiasmo foi sol de pouca dura”, porque, perante uma pergunta concreta sobre o destino dos 700 a 900 professores precários que existem na Região, foi evidente que tudo ficará na mesma.
“Mais uma vez, muita propaganda, mas pouco efeito prático”, lamentou a líder do Grupo Parlamentar do BE.
O Bloco acusa o Governo Regional de estar a reforçar o rentismo para pseudo-empreendedores na área da Energia e da Saúde que implementam negócios com retorno garantido às custas de dinheiros públicos, e apontam erros nos caminhos definidos para a Agricultura, a Pesca e o Ambiente.
Sobre a criação de um Centro Internacional de Investigação Científica – uma proposta que o BE tem vindo a defender há mais de dez anos – Zuraida Soares salienta ser “curioso que um projeto tão divulgado pelo PS durante a campanha eleitoral, tenha agora o silêncio do Governo Regional”.
Quanto à Base das Lajes, a posição do BE é clara: “Todos os dias, a vida vem provando que a manutenção da base militar é prejudicial à nossa economia e nos impede de criar mais empresas e mais emprego qualificado, melhorando, assim, a vida dos açorianos e das açorianas e, em particular, dos e das terceirenses”.