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Proposta de reestruturação do Serviço Regional de Saúde acentua assimetrias entre ilhas

 

O Bloco de Esquerda considera que “a proposta do Governo Regional para a reestruturação do Serviço Regional de Saúde esconde as suas verdadeiras motivações, é rica em contradições e, se for implementada, irá acentuar as assimetrias entre as ilhas no acesso aos cuidados de saúde”. A acusação foi feita esta tarde por Paulo Mendes, dirigente do BE.

Paulo Mendes levantou muitas interrogações sobre a proposta do Governo Regional para o sector da Saúde, que revelam muitas incoerências neste processo de reestruturação, nomeadamente no que diz respeito, especificamente, à Oncologia: “Como se reforçará a capacidade de rastreio do Centro de Oncologia dos Açores, sem os meios adequados?”, “Ao serem encaminhados para o Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo, os doentes serão atendidos com a celeridade que se exige num rastreio?”, “Como será gerida e agilizada a transferência de uma parte significativa dos utentes do Centro de Oncologia?”.

Mas as dúvidas, e as incoerências do Governo Regional não se ficam por aqui. Se, em alguns casos, o número de ocorrências parece ser o critério orientador – sendo esta a justificação para a instalação do Centro de Radioterapia em Ponta Delgada –, “então porque decidiram instalar a medicina nuclear na Terceira?”. Só há uma explicação: falta de visão estratégica dos sucessivos governos do PS, que criaram um hospital sobre-dimensionado na Terceira, cujo o investimento é preciso agora justificar.

“Em 2008, alertámos para o perigo de se confundir, em saúde e não só, a dimensão das infraestruturas com a qualidade do serviço prestado, e agora estamos a assistir a uma política que procura remediar a ausência de visão estratégica sobre o que deverá ser um Serviço Regional de Saúde universal e gratuito”, concluiu Paulo Mendes.

O Bloco de Esquerda critica ainda falta de atenção que é dada à saúde mental – “umas míseras linhas” – e aponta falhas no sistema: “Onde estão os serviços de apoio de suporte natural, assegurados por equipas para apoio individualizado e sistémico?”.

Perante a falta de dados públicos que permitam conhecer o actual estado da saúde mental na Região, a Representação Parlamentar do BE entregou ainda hoje na Assembleia Legislativa dos Açores, um requerimento que solicita dados relativos à incidência da doença mental (por psicopatologia diagnosticada e/ou tipo de deficiência), incluindo o número de internamentos e respetiva duração, número de casos de carácter permanente, e taxa de re-hospitalização.