“Não vale a pena Duarte Freitas e Artur Lima andarem pelos Açores a fazer propaganda, dizendo que querem o melhor para os agricultores, quando os seus partidos não são capazes de aprovar, na Assembleia da República, propostas que reuniram o consenso de todos os partidos no parlamento dos Açores”, disse hoje o coordenador do Bloco de Esquerda, Paulo Mendes, após reunião com a Associação de Agricultores da Ilha Terceira.
O dirigente do BE lembrou que partido levou à Assembleia da República propostas para a criação de linhas excepcionais de apoio aos agricultores açorianos e para a criação de mecanismos de controlo do preço do leite, que garantiam a distribuição das mais valias por toda a cadeia de valor, para que os lucros não ficassem concentrados apenas em quem distribui e comercializa. No entanto, PSD e CDS chumbaram estas medidas, que embora fossem muito simples, “poderiam significar muito para os agicultores açorianos”.
Esta situação torna-se ainda mais inacreditável porque estas propostas do BE eram muito semelhantes às que o PSD apresentou anteriormente no parlamento dos Açores, e que foram, na altura, aprovadas por unanimidade.
“Tem que haver regulação do mercado”, defendeu Paulo Mendes, lembrando que “a extinção das quotas leiteiras prejudica principalmente os pequenos produtores”.
O coordenador do Bloco de Esquerda alerta que os problemas criados com a liberalização do mercado do leite na União Europeia, será agravado no futuro com a entrada em vigor do Tratado Transatlântico de Comércio entre os EUA e a UE.
“O PSD, CDS e PS acham que a liberalização total do comércio entre estes dois gigantes é positivo para os Açores, porque o arquipélago está entre os dois continentes. É como dizer que introduzir duas raposas num galinheiro vai ser bom para as galinhas”, alertou Paulo Mendes.