O Governo Regional, da responsabilidade do PS, apoiou, mais uma vez, a criação de uma escola privada na Região, desta vez, na ilha Terceira, à qual será atribuída uma compensação na propina dos respetivos alunos. Paradoxalmente, no próximo ano letivo, as escolas básicas com 3.º ciclo, deixarão de disponibilizar o 3.º ciclo, quando efetuaram, muito recentemente, obras necessárias à lecionação desse ciclo, pois o Sr. Secretário Regional da Educação e Cultura considerou-as más exceções, o que motivou a futura transferência desses alunos para escolas secundárias, o que resultará num desperdício de investimento feito em infraestruturas que não serão utilizadas. Será que as tais ‘más exceções’ não eram senão um pretexto para transferir alunos para uma nova escola privada com 3.º ciclo e secundário, e assim garantir “clientela”?
Este é um Governo Regional que assume, sem despudor, todo o preconceito que as políticas de direita nutrem pela escola pública. A lógica, segundo a qual a gestão privada é, por regra, mais eficiente, não passa de um preconceito, facilmente contrariado, por exemplo, pela gestão empresarial dos hospitais da Região.
Os Açores não são uma exceção no prosseguimento de uma política que transforma a educação num negócio rentista suportado pelo erário público e, dessa forma, o PS está ao lado do PSD e do CDS/PP, na defesa da substituição da escola pública pelo “cheque-ensino”, trasvestido por uma suposta liberdade de escolha que não é mais do que um regime que tem permitido o desinvestimento na escola pública e o investimento no ensino privado lucrativo, que só o é (lucrativo), graças a esse mesmo rentismo que assegura e garante uma clientela.