PS está em sintonia com PSD e CDS na implementação de política económica neoliberal

A reestruturação do sector público empresarial que está a ser implementada pelo Governo Regional segue uma “lógica económica neoliberal” e pretende “satisfazer as reivindicações da direita e de sectores económicos regionais que vêem agora a oportunidade de aumentar os seus lucros à custa dos serviços públicos”, o que demonstra que o PS está em sintonia com o PSD e o CDS na vontade de entregar mais sectores da economia aos privados, assinalou o deputado António Lima, no debate de urgência promovido pelo BE.

António Lima salienta que o Bloco de Esquerda defende que os sectores estratégicos para a Região têm que “estar em mãos públicas para defender a economia e defender a democracia”, e manifestou preocupação com o futuro dos sectores da energia, transportes e portos, saúde e educação, que são “os sectores que os empresários das rendas querem para sua gestão. São estes os sectores em que PSD e o CDS, e agora o PS, dizem que o ‘Estado está a mais’".

“Os açorianos e açorianas conhecem, por experiência própria, o custo das privatizações da República, no piorar das suas vidas” – como é o caso dos CTT – “e hoje são confrontados com a mesma orientação errada, agora em plenitude na Região”, assinalou o deputado do BE.

António Lima espera que o anúncio da extinção de algumas empresas públicas signifique que acabou o tempo de utilizar estas empresas como intrumentos de captação e gestão de quadros do PS, como rampa para novas oportunidades políticas, ou reformas douradas para ex-autarcas em fim de mandato, ou ainda como recompensa para jogadas políticas mal sucedidas. No entanto, a recente nomeação do ex-candidato do PS à Câmara Municipal de Ponta Delgada para administrador da SDEA parece mostrar o contrário.

No seguimento do anúncio da extinção da Saudaçor e da SPRIH – medida que o Bloco defende há muito tempo, porque estas empresas serviam apenas para esconder a sub-orçamentação de serviços públicos à custa de endividamento – António Lima desafiou o Governo Regional a fazer o mesmo com a Azorina, o IROA e a SDEA. “Ou será que aí os interesses do PS falam mais alto que o interesse público?”, questionou António Lima.

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