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PSD acaba de escrever página negra da história dos Açores ao aceitar a chantagem do Chega

O PSD, partido fundador da Autonomia, acaba de escrever “uma página negra da nossa história ao aceitar a chantagem do Chega, partido que fere a Autonomia e os valores centrais da democracia”, assinalou hoje o deputado António Lima no encerramento do debate do Orçamento para 2022. O Bloco de Esquerda apresentou um conjunto de propostas concretas para demonstrar que é exequível e que é possível fazer diferente e fazer melhor com os recursos da região.

António Lima considera que a cedência do PSD, CDS e PPM às exigências imorais do Chega mostram que o Governo está “ligado à máquina e quem tem o poder de a desligar é um partido anti-autonomista, xenófobo e que criminaliza a pobreza”.

“Ficamos a saber que o PSD e a coligação criarão um apoio à natalidade que exclui quem recebe apoios sociais, os mais pobres. Ficamos a saber que o governo será remodelado por exigência do Chega. Ficamos a saber que a SATA Internacional é para fechar como exigiu a extrema-direita”, assinalou o deputado do Bloco de Esquerda.

Ainda sobre a SATA, “um assunto da maior gravidade e importância para a Região”, António Lima considera que a redução de 23% da verba prevista para o transporte aéreo é “um crime contra os Açores”.

Sobre o sector da Saúde, o líder parlamentar do Bloco lembrou que, há um ano, o secretário regional dizia que “a suborçamentação crónica da saúde e a falta de recursos humanos” eram “situações muito graves”, mas assinalou a contradição que é o facto de o orçamento para o próximo ano ter um corte de 53 milhões de euros para o sector.

António Lima apontou o combate à pobreza e à precariedade e aposta em sectores qualificados como caminho para combater a emigração e o despovoamento dos Açores.

Sem uma aposta em sectores mais qualificados, restam trabalhos com “baixos salários e alta precariedade”, salientou o deputado, que classificou como “confrangedor assistir ao foguetório com o aumento de apoios sociais entre menos de um euro e cerca de 4 euros”.

Para demonstrar que é possível um caminho diferente, o Bloco de Esquerda propõe aumentar em 15€ as pensões mais baixas, aumentar em 10€ o complemento regional ao abono de família, reformar os transportes públicos, alterando o seu modo de funcionamento e baixando preços, melhorar salários, aumentando o complemento regional ao salário mínimo para 7,5%, fixando o salário mínimo nos Açores em 757€.

O Bloco vai propor também que as empresas que recebam apoios públicos tenham que manter 100% do emprego e criar postos de trabalho com contrato efetivo.

A publicação anual de um relatório com todos os dados sobre os fundos europeus atribuídos, para garantir a transparência destes processos, a integração obrigatória nos quadros de todos os professores ao fim de três anos de contrato, e o travão à construção desenfreada de novos hotéis são outras propostas entregues pelo Bloco.