A autorização do Governo para a construção desenfreada de hotéis em São Miguel é “um desastre, um disparate e um crime ambiental”, acusa António Lima, que lembrou que, em apenas seis meses, e num momento em que há grandes dúvidas sobre a retoma do turismo, o Governo do PSD, CDS e PPM já autorizou a construção de hotéis em São Miguel que correspondem a mais de mil camas, sem qualquer respeito pela sustentabilidade ambiental e económica que deve orientar o crescimento do turismo nos Açores.
“O governo está a permitir que se aumente a oferta de hotéis, quando não existe procura. A consequência será um desastre”, ainda por cima, estes novos hotéis “em nada se enquadram documentos orientadores da estratégia de turismo e do ordenamento turístico em vigor”, acrescentou o deputado do Bloco de Esquerda.
“Um hotel na antiga fábrica da espadana, junto à reserva natural da Lagoa do Fogo, por exemplo, não está de acordo com nenhum plano de ordenamento do território. É um desastre, é um disparate, e um crime ambiental, o que o governo está a permitir que se faça na ilha de São Miguel”, salientou.
O Bloco de Esquerda defende que o desenvolvimento do turismo dos Açores tem que ter a “sustentabilidade como pedra central”, e critica a suspensão do Plano de Ordenamento do Turismo efetuada em 2010 pelo Governo do PS, que o atual governo mantém, e cujo objetivo é “introduzir a lei da selva na construção imobiliária neste sector”.
“Querem transformar os Açores numa espécie de Benidorm ilhéu. Isso, para nós é inaceitável”, atirou António Lima, que também criticou o facto de estes novos hotéis receberem não apenas autorização de construção, mas também “um belo cheque de apoios públicos”.
O deputado disse ainda que “os açorianos e açorianas que ouvem juras ao turismo de natureza e sustentável, terão como herança os elefantes brancos que normalmente são deixados por aqueles que defendem que a livre iniciativa não pode ter limites e que a natureza aguenta tudo”.
“Quando é que acaba este regabofe que só serve para destruir o nosso património ambiental?”, questionou.
Na declaração política realizada esta manhã, António Lima criticou também a falta de estratégia e de decisões sobre a política de transportes do Governo: mantém-se a dúvida sobre as obrigações de serviço público para as ligações entre o Faial, Pico e Santa Maria com o continente, e a 10 dias da entrada em vigor da tarifa Açores, com as prometidas viagens a 60 euros para os residentes, nem as agências de viagens, nem a SATA têm qualquer informação sobre a sua aplicação.
“Vamos continuar, quando a economia abrir e o turismo voltar, a ter filas de residentes para apanhar o avião, andando estes cheios de encaminhamentos gratuitos? Ou as críticas passadas dos atuais partidos do governo à falta de lugares na SATA eram apenas oportunismo político?”, perguntou António Lima, salientando que manter esta política é fazer a SATA continuar a prestar um serviço gratuito à Ryanair, que está a fazer tudo para destruir as companhias de aviação públicas.
O deputado do Bloco de Esquerda lamentou ainda as trapalhadas e disputas de poder no interior do governo, como revelou a situação em que o Vice-Presidente do governo impôs a suspensão da discussão da proposta de obrigações de serviço público interilhas que tinha sido desenvolvida pelo diretor regional dos Transportes, sob a orientação do secretário dos Transportes, Turismo e Energia.