Reestruturação na Saúde tem que ser refeita ouvindo profissionais e população

 

A proposta do Governo Regional para a reestruturação do Serviço Regional de Saúde (SRS) “afasta as pessoas dos cuidados de saúde, torna a saúde mais cara para os utentes, desumaniza, ainda mais, os cuidados de saúde, e obriga as pessoas a mais deslocações, dentro de cada ilha e inter-ilhas”. A crítica foi feita hoje pela deputada do Bloco de Esquerda, que defendeu o reinício deste processo, através da “auscultação e do trabalho de cooperação com quem sabe do assunto, com quem trabalha no SRS, com as populações e com as diferentes forças políticas”.

Zuraida Soares voltou a defender que a grande mudança no sector da Saúde deveria ter como ponto de partida um Orçamento de Base Zero, elaborado a partir das reais necessidades das populações, que respeite a realidade arquipelágica e demográfica dos Açores com uma política de proximidade alargada, e que recuse uma discussão do SRS condicionada pela dívida do sector.

“Apesar dos anúncios e dos compromissos assumidos pelo secretário regional da Saúde, o Governo Regional optou por não serguir este caminho”, lamentou a deputada do BE.

No âmbito do debate de urgência solicitado pelos partidos da oposição sobre a reestruturação do sector da Saúde, o Bloco de Esquerda apresentou uma série de propostas para melhorar o documento apresentado pelo Governo.

Assim, Zuraida Soares defendeu um novo modelo de gestão para o sector da Saúde que siga uma estratégia comum, monitorizada por um órgão próprio, com um orçamento próprio, sendo a gestão operacional da responsabilidade de cada um dos hospitais: “Este modelo permitirá a decisão de proximidade e a flexibilidade necessária, para responder a situações diferentes, sem perder a fundamental estratégia comum”.

O BE defende também a inclusão de propostas concretas para área da saúde mental, oral, visual e auditiva, que o documento, pura e simplesmente, ignora, e defende ainda que a reestruturação da Saúde deve ter em conta as alterações da anunciada revolução nos transportes marítimos nas ilhas do Triângulo.

A deputada do Bloco voltou a apontar erros graves, nomeadamente, a constante desorçamentação do SRS que levou à acumulação de uma dívida gigante, a que ainda se somam as rendas da Parceria Publico-Privada do Hospital da Terceira, a falta de medidas para combater a falta de médicos, e o fecho de centros de saúde à noite, fecho de valências nos hospitais do Faial e da Terceira, e o desmantelamento do Centro Oncológico dos Açores – que comprovadamente funciona bem.

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