A Associação de Municípios de São Miguel (AMISM) continua a dar razões para que sejam levantadas sérias dúvidas sobre a transparência do processo de construção da central incineradora de São Miguel, e o silêncio do Governo Regional é uma conivência difícil de perceber.
Depois de ter decidido que a incineradora só avançaria se a EDA construísse uma central hídrica reversível, a AMISM acaba de decidir retomar o projeto sem que haja qualquer evidência pública sobre a construção desta infraestrutura por parte da empresa de eletricidade dos Açores.
O facto de a reunião de ontem, em que foi decidido por unanimidade prosseguir com o concurso que estava a decorrer, ter ocorrido à porta fechada, sem a presença de jornalistas – ao contrário do que aconteceu nas anteriores reuniões – e o facto de as declarações à comunicação social terem sido prestadas por Elisabete Tavares, presidente da Mesa da Assembleia Geral da AMISM, em vez de Ricardo Rodrigues, como sempre tem acontecido, só aumentam as suspeições sobre este processo.
O Bloco de Esquerda não tem dúvidas de que a construção da central incineradora será um crime ambiental.
Tendo em conta todas as implicações e consequências que um projeto com esta envergadura acarreta, como é que se explica o absoluto silêncio do Governo Regional? Será que o Governo Regional já percebeu, ou sabe, que a incineradora ‘cheira mal’, e prudentemente decidiu afastar-se do processo?
Será que a secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo – que iniciou mal o seu mandato, colocando o plano de turismo à frente do planeamento do território – no seu plano de diversificação dos pontos de interesse turístico fará da incineradora uma referência a ser visitada?
Governo Regional e AMISM estão juntos no processo de construção da incineradora. A bem do Ambiente, da Natureza e do Turismo é preciso parar este crime.