O serviço de Suporte Imediato de Vida (SIV) do Faial não funciona entre a meia-noite e as 8h30 e recorre a bombeiros de outras ilhas, a quem é pago – a recibos verdes – um valor superior àquele que foi oferecido aos bombeiros do Faial, e ao qual acrescem os custos de deslocação, alimentação e estadia. A denúncia foi feita esta tarde pelo Bloco de Esquerda no parlamento dos Açores.
Aos bombeiros do Faial, o Governo Regional propôs pagar 3,78 euros por hora para prestarem o serviço SIV. Perante a recusa, por considerarem o valor demasiado baixo, a tutela contratou bombeiros de outras ilhas, a quem está a pagar 5 euros por hora pelo mesmo serviço.
Uma situação que a deputada Zuraida Soares classificou de “surreal e escabrosa”: “O Governo Regional recusa-se a pagar 5 euros à hora aos bombeiros do Faial, mas passa a pagá-los a outras pessoas de fora da ilha”.
“Para manter a sua posição de força, o Governo Regional acaba por gastar mais dinheiro do que aquilo que seria necessário, caso respondesse afirmativamente às pretensões dos bombeiros do Faial”, assinalou a deputada do BE, considerando ser urgente acabar com estas “guerrinhas de capelinhas, inúteis, dispendiosas e inaceitáveis”.
O BE não compreende como é que é possível que, fazendo os bombeiros parte do Serviço Regional de Proteção Civil, o Governo não dialogue com esta coorporação, que está aberta a cooperar para encontrar uma solução e propostas que colocam o serviço SIV a funcionar 24 horas por dia, 365 dias por ano.
“Será que o secretário regional da Saúde quer decidir, por decreto, as horas a que as pessoas do Faial podem adoecer ou ter acidentes?”, perguntou, com ironia, a deputada do BE.
“Não se compreende que, havendo soluções para prestar este serviço SIV aos faialenses e às faialenses, de forma rigorosa e continuada, as populações estejam dele privadas, apenas e só, por causa das trapalhadas do Governo Regional”, concluiu Zuraida Soares.
Recorde-se que, no âmbito da discussão do Orçamento da Região para 2016, o BE propôs um aumento de verbas que permitisse subir o valor pago por hora aos bombeiros, em todas as ilhas, que prestam este serviço. Mas o PS chumbou a proposta, considerando que não era necessário. Mesmo depois de o próprio secretário regional da Saúde – num debate anterior – ter reconhecido que “três euros e meio por hora é um valor demasiado baixo”.