A representação parlamentar do Bloco de Esquerda desafia o Governo Regional a dar “um murro na mesa” e a exigir que o Ministério da Justiça dê prioridade à construção de um novo estabelecimento prisional em São Miguel. O edifício actual alberga 223 reclusos, quando o limite máximo é de 110. “A sobrelotação e as condições desumanas deste estabelecimento prisional inviabilizam o próprio objectivo de preparar os reclusos para uma reinserção social”, alerta a deputada Zuraida Soares.
“O que se passa aqui é inaceitável” disse a deputada salientando “a angústia permanentemente vivida pelos guardas prisionais, pelos reclusos, e pelo próprio director, que tem que escolher, por exemplo, entre ter aulas para os reclusos ou permitir visitas dos seus familiares e amigos”.
Note-se que trabalham naquele estabelecimento 56 guardas prisionais, quando o exigido, perante a actual situação seria o dobro de profissionais.
Zuraida Soares considera ainda que este não pode continuar a ser o único estabelecimento a nível nacional que não tem celas individuais: “Quando alguém é preso é expectável que tenha um espaço de reencontro consigo próprio, para assumir os seus erros e as suas práticas erradas. Com os reclusos todos juntos pode acontecer mesmo a relativização dos crimes”.
A deputada do Bloco lamentou que a comunicação social não possa entrar no estabelecimento prisional para poder mostrar a todos os açorianos o estado as condições deploráveis e indignas a que os reclusos, os guardas e o pessoal administrativos estão sujeitos diariamente.