O Bloco de Esquerda defende que os subsídios públicos atribuídos à indústria do leite devem ter como contrapartida a imposição de um patamar mínimo no preço do leite pago aos produtores. As medidas para aumentar os rendimentos dos agricultores devem passar ainda pela diversificação agrícola, pela redução da quantidade de leite produzido, e pela conversão para a produção biológica. António Lima acusa PS, PSD e CDS de terem responsabilidades nas dificuldades sentidas pelo sector do leite, por terem apoiado na União Europeia o fim do regime de quotas.
António Lima considera que a proposta do PS com medidas para o relançamento económico do sector do leite, debatida hoje no parlamento, “é o reconhecimento de que a liberalização desta produção falhou”, porque quase todas as medidas apresentadas têm “uma tendência regulatória do mercado”.
“O Bloco sempre avisou para o que aconteceria com o fim das quotas leiteiras: desregulação do mercado para prejuízo dos produtores dos Açores, na sua grande maioria, pequenos produtores”, porque o fim das quotas sempre teve como objetivo beneficiar os grandes produtores.
“E o que se fez ao longo destes anos para contrariar o efeito negativo do fim das quotas? Investiu-se na qualidade em detrimento da qualidade? Não, fez-se exatamente o inverso”, disse António Lima, referindo que em 2015 a região produziu 610 milhões de litros e em 2020 a produção foi de 652 milhões de litros. “Um aumento de 42 milhões de litros”.
Ainda por cima, o aumento da produção foi acompanhado pela redução da procura, provocando a diminuição do preço do leite.
“Agora chora-se sobre o leite derramado e tenta-se, por um lado, de certo modo regular o mercado como faz o PS com esta proposta e por outro atira-se dinheiro para cima do problema como faz o Governo Regional”, concluiu o deputado do Bloco de Esquerda.