Os trabalhadores da Base das Lajes são vítimas da submissão de sucessivos governos da República e da Região, aos ditames das administrações norte-americanas.
A governação portuguesa, ao longo dos anos, sempre contemporizou com a progressiva redução de pessoal açoriano afecto à Base, bem como com os constantes atropelos aos direitos dos trabalhadores.
Tudo isto, em nome de uma aliança militar prejudicial ao nosso País, ao ponto de nos envolver numa guerra ilegal, à luz do direito internacional, como foi o caso da invasão do Iraque.
Sobretudo, após 2009, com o novo conceito estratégico da NATO, imposto por Barak Obama, ficou claro que a Base das Lajes iria perder importância, na estratégia militar americana. Nessa altura, tal como hoje - apesar da irredutível posição norte-americana, em lançar, no actual período de crise profunda, centenas de trabalhadores no desemprego -, os governos da República e Regional continuam de joelhos, face a quem se comporta como um senhor feudal, sem qualquer respeito por Portugal, pelos Açores e muito menos, pelas centenas de trabalhadores que o serviram.
O Bloco de Esquerda/Açores, há mais de 10 anos, que vem alertando para o eventual perigo desta situação. Alertámos vezes sem conta, no Parlamento Regional e fora dele, para este risco e propusemos, também vezes sem conta, o estudo de alternativas económicas ao usufruto militar da Base, em tempo útil.
Os sucessivos governos regionais, juntamente com o PSD e o CDS, nos Açores, fazendo coro com os governos da República, puseram sempre os interesses dos Açores e dos/as Açorianos/as, em último lugar, por subserviência à grande potência.
Por isso, assistimos, hoje, a toda uma encenação de solidariedade com os trabalhadores portugueses da Base e respectivas famílias.
O Bloco de Esquerda/Açores não tem dúvidas em apontar o dedo e a responsabilidade a estes políticos, pela crise que se vai acentuar, na ilha Terceira.
Hoje, só um caminho é digno para o actual Governo Regional:
– exigir, da administração norte-americana e do governo português, adequadas compensações excepcionais para estes trabalhadores, para a economia da ilha Terceira e do concelho da Praia da Vitória, em particular;
– exigir ao Governo da República a decisão de uma moratória, para que a administração norte-americana desactive a Base das Lajes;
– lançar, durante este período, os estudos e a concretização de utilizações pacíficas para esta infra-estrutura, capazes de desenvolver a economia da Ilha e da Região.