O Parque Zoológico da Povoação esteve mais de duas décadas a funcionar em situação irregular, não cumprindo os requisitos legais para o seu licenciamento, mantendo os animais em condições precárias.
Foram várias as associações e movimentos cívicos que lutaram durante anos para o seu encerramento, apontando a falta de condições e de bem-estar para os animais que albergava.
As dificuldades financeiras da autarquia eram evidentes, mas a sua insensatez levou a que se permitisse situações evidentes de malnutrição animal e mortes inexplicadas.
Em 2016 a autarquia anunciou o investimento de 250 mil euros na remodelação do parque, com especial interesse no transporte frequente de animais entre Lisboa e Povoação, situação que levou a VegAçores-Associação Vegana dos Açores a realizar uma petição pública para o encerramento do espaço e encaminhamento dos animais para santuários/refúgios, onde estes pudessem estar num ambiente semelhante ao seu habitat natural, sugerindo ainda a reconversão daquele espaço em parque temático e de lazer.
A nível mundial a tendência tem sido pelo encerramento de parques e jardins zoológicos, uma vez que exigem elevados custos de manutenção, causam stress e perturbações nos animais, assim como é cada vez mais contestada a manutenção de animais selvagens em cativeiro. A dita função pedagógica elencada por defensores destes parques já foi claramente suplantada pelo desenvolvimento de tecnologia e por visitas a refúgios de acolhimento e tratamento animal.
Em agosto de 2020 a autarquia reconhece não ter condições financeiras para o seu licenciamento e manutenção, decidindo encerrar o espaço, reconhecendo não ter solução para os símios.
Assim, a VegAçores entrou em contacto com a autarquia para articular uma solução com a Organização Não-Governamental ANIMAL, que tem muita experiência no processo de transladação de animais para santuários.
Dos contactos realizados sempre existiu agradecimento por parte da autarquia pela colaboração, no entanto o mesmo não corresponde às palavras do Presidente da Câmara Municipal da Povoação, que volta e meia aponta o dedo às pessoas que têm realmente trabalhado para encontrar uma solução para estes animais.
Apesar de já existir um local para receber os animais, o processo de transladação é complexo, moroso e muito burocrático, ainda mais quando pelo meio surgiu uma pandemia e uma guerra.
E porque voltamos a falar sobre este assunto? Para relembrar que o trabalho sempre continuou, que existe empenho para resolver esta situação e que é na sinergia que podemos encontrar soluções.
Estes temas não devem ser usados como entretenimento político, com acusações e criação de barreiras desnecessárias, sendo mesmo um verdadeiro “zoo” para quem assiste.
Foi possível dar um passo à frente com o encerramento deste espaço não licenciado e sem garantia de bem-estar animal, no entanto ainda falta alcançar o objetivo principal, que é a possibilidade destes animais conhecerem uma vida fora do cativeiro.
Continuaremos a trabalhar para que este objetivo se concretize e para que haja consciência política de que as soluções se fazem unindo esforços e não quebrando pontes.