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O cobrador de “favores”

O Bloco de Esquerda esteve recentemnete nas Flores, onde - através do meu camarada António Lima – foi anunciada uma proposta que visa a fixação de médicos na nossa região, essencialmente nas ilhas sem hospital.

Embora seja algo que repudio imensamente, todos e todas nós já ouvimos contar histórias relativas a “promessas” pessoais em troca de votos. Na lista dessas promessas é usual ouvir-se comentar acerca de emprego – muitos destes não passando do carrossel de programas ocupacionais -, de cimento, alguns blocos para acabar uma obra começada, uma tinta ou cal para pintar o muro, alguma vaca ou leitão. Claro que também temos alguns cargos de chefia e há até quem diga que algumas notas são parte integrante da campanha eleitoral – penso que até esta parte já fica bem clara a diferença entre proposta e promessa.

Estar nas Flores é sempre surpreendente, não só pela paisagem, mas pelas novidades que me transmitem. Desta vez, em tom de confidência e de revolta com a situação política que se vive naquela ilha, foi-me dito que, à semelhança do “cobrador do fraque”, há quem tenha, ao longo dos anos, registado um rol de favores que fez e que agora os esteja a cobrar, sendo a manifestação de apoio à candidatura e o voto, os métodos de pagamento exigidos.

Certamente recordar-se-ão de, há alguns anos, aparecerem na comunicação social anúncios referindo que “o cobrador do fraque visitará os seus devedores”. E, efetivamente, apareciam indivíduos vestidos com um fraque que se punham à porta das casas de alegados devedores ou do seu local de trabalho, não os abandonando até que os mesmos se decidissem a pagar dívidas que haviam sido contraídas.

É, também, por situações destas que as pessoas tendem a afastar-se cada vez mais da política, pois exemplos destes descredibilizam, tornando o cenário político desprestigiante.

Isto é dar argumentos a quem deixou de acreditar na democracia que é demasiado importante para que seja colocada em risco.