A Democracia fez-se ouvir no passado domingo, ditando um novo cenário politico para os próximos quatro anos.
Os partidos à esquerda do PS reduziram significativamente o número de deputados, a direita tem uma derrota brutal e a extrema-direita aumenta a sua bancada. O PS tem o resultado que ambicionava desde o início. Ao contrário do que se diz, ou se tenta fazer parecer, o BE não faltou a Portugal, nem ao seu eleitorado. Apesar do efeito positivo que a “Geringonça” teve na recuperação de rendimentos, ficou muito por fazer.
O CDS desapareceu do hemiciclo das decisões políticas do país. Esse desaparecimento fortaleceu o partido de um homem só (Ventura) e a IL.
Recordando: os seus 15 deputados votaram isolados contra a Constituição da República Portuguesa. Daquelas bocas não se ouviu “Viva Portugal”; “Viva a Constituição Portuguesa”; Junto com o PSD concretizou o maior corte aos direitos e dignidade das e dos Portugueses, “PaF”; Diogo Pacheco Amorim foi adjunto de Ribeiro e Castro e antigo chefe de gabinete de Manuel Monteiro, identificado como bombista ao serviço do Movimento Democrático de Libertação de Portugal uma das três organizações terroristas de extrema-direita que atuaram em Portugal no Verão Quente de 1975. Relembre-se que a justiça responsabilizou este movimento pelo atentado terrorista que assassinou a 2 de abril de 1976 o padre Maximino Barbosa de Sousa e a estudante Maria de Lurdes Correia. Migrou do CDS, é eleito deputado e sentar-se-á numa das cadeiras, onde se sentam a e os defensores do Estado Novo. A democracia é tão boa que permite eleger quem pretende acabar com ela!
A IL também aumentou a sua bancada e a mensagem que ficou é a de que a subsídio-dependência do Estado só é boa se for para empresários ricos dos sectores da Saúde e do Ensino.
Pela região, ficou bem expressa a opinião das pessoas acerca do atual governo regional. O vice-presidente dizia que a coligação às eleições “era mais um passo de consolidação neste governo que os Açorianos confiaram e confiam”; Paulo Estêvão referia que a vitória desta coligação era muito importante para a afirmação do projeto político e Bolieiro rematava dizendo que estavam confortáveis juntos. O discurso pós-eleitoral foi o seu contrário! Já não se misturava o governo em funções com o resultado de eleições. Será que Bolieiro ainda considera que estão confortáveis “e juntos”?
A todas e a todos aqueles que tentam legitimar a sua simpatia pelo partido de um homem só, dizendo que o BE e chega são extremistas, e por isso, comparando-os: o chega defende a pena de morte, remoção de ovários, castração química, cercas sanitárias a etnias, prisão perpétua, criminalização do aborto. O BE quer mais investimento na saúde, educação, ambiente, cultura!
É verdade, o BE perdeu deputados, perdeu votos. No fundo, os trabalhadores, os pensionistas, os pobres, o Sistema Nacional de Saúde, a Educação, o Ambiente, a Cultura, têm menos representação na Assembleia da República, mas continuam a ter, quem na rua, lute diariamente por tudo isto! Pela justiça social. Pela equidade. Por um futuro.
A democracia é isto! A resiliência é o dia de amanhã no Bloco, porque nunca deixamos ninguém para trás!