O mar é, também, uma das portas de entradas nas Flores. Foi durante muitos anos a que mais se abriu a visitantes. A mais procurada.
Eram os denominados “aventureiros” que, em pequenas ou maiores embarcações, com mais ou menos gente, traziam experiências, vivências e sonhos diferentes.
Nós, ilhéus, víamo-los chegar e víamo-los partir. Traziam experiências e levavam sonhos de quem ficava.
Eram muitos. Esses muitos, a posição privilegiada da rota dos velejadores que vêm da América do Norte, a procura cada vez maior, o desenvolvimento económico-social, levou a que, após a construção do Porto das Flores, finalmente se concretizasse a construção de uma mari… um porto de recreio.
Ora, destrui-se toda a zona da Calheta para dar lugar a um espaço que permite a atracação/amarração de meia dúzia de iates, veleiros, embarcações.
E refiro meia dúzia porque o número de velejadores que pelas Flores passam é muito superior à capacidade de resposta daquela… obra. São centenas de veleiros que procuram a ilha!
Não se compreendeu. Foi debatido. Foi reivindicado. E não foi bem aceite pela comunidade florentina que não via a devida potenciação económica do mar naquela obra.
Hoje tenho a mesma sensação que tive no fim da sua construção: um jogo de legos. Uma construção de legos, nas quais algumas vezes não nos aplicamos e fica sempre qualquer peça por encaixar.
Dando uma volta pelas infra estruturas adjacentes é notório o abandono a que foram sujeitas. Falta de manutenção nos balneários, WC’s partidos, espaços inundados, para além de que lavandaria, onde estás?
Caros/os, não é só encher os pulmões e dizer que a ilha das Flores é o princípio ou fim da Europa. É necessário dizer isso, saindo do abstracto, pensando que é primeiro ou o último porto da Europa! A primeira ou a última porta de entrada na Europa.
Pois é. Diz um ditado popular que “quem nasce lagarto não chega a jacaré”, pois eu penso exactamente o contrário.
Embora esse porto de recreio já devesse ter “nascido” sob a forma de jacaré, está mais do que na hora de assumir política e seriamente a necessidade de investir, dotando-o das condições necessárias, passando de lagarto a jacaré: uma marina!
A marina nas Flores SERÁ a primeira e última imagem que muitos velejadores levarão consigo. A imagem dos Açores.