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A ocupação israelita e o direito internacional

No passado dia 11 de maio a jornalista do canal Al Jazeera, Shireen Abu Akleh, foi morta com um tiro na cabeça em Jenin, na Cisjordânia. No mesmo momento, Ali al-Samoudi, do mesmo órgão de comunicação social, também foi atingido nas costas durante a cobertura, tendo ficado ferido.

Segundo o canal Al Jazeera, os jornalistas foram atingidos por militares da força ocupante israelita quando iam fazer a cobertura de uma operação deste exército. Têm sido muitos os jornalistas mortos quando tentam levar ao mundo as notícias da ocupação israelita, que de outro modo cairia, ainda mais, no esquecimento dos governos. Shireen Abu Akleh foi a mais recente vítima de uma ocupação ilegítima e ilegal que perdura desde 1967. A violência das imagens que todos vimos tornou mais real esta crua realidade.

Mais tarde, no funeral da jornalista palestiniana, forças israelitas carregaram sobre a multidão que acompanhava o funeral, atingindo até os homens que carregavam a urna, numa clara demonstração de força e impunidade das forças israelitas pelo povo palestiniano que se estende ao seu direito de chorar os seus mortos.

A esta inqualificável ação perpetrada pelas forças ocupantes, vários órgãos de comunicação social nacional, e não só, descreveram como “confrontos entre a polícia e manifestantes”. Felizmente as imagens que correram mundo não deixam dúvidas quanto à natureza do ataque e à responsabilidade das forças israelitas. Parece, no entanto, que há quem prefira difundir propaganda, semelhante aquela que, neste momento, Putin propaga na Rússia.

Estes tristes acontecimentos relembram-nos, uma vez mais, a longa e ilegal ocupação do território palestiniano por parte de Israel. Uma ação totalmente à margem do direito internacional e que Israel pretende tornar definitiva ao avançar com colonatos ilegais em território ocupado, tornando assim cada vez mais difícil ao povo palestiniano garantir o seu direito à autodeterminação.

São inúmeras as resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas que reafirmam o direito do povo palestiniano à autodeterminação e reconhecem a ocupação ilegal do território palestiniano. A sua aprovação é esmagadoramente maioritária, normalmente com 5 ou 6 votos contra, naturalmente de Israel e dos Estados Unidos da América.

Não é coincidência que Israel prossiga a ocupação e a colonização da Palestina impunemente sem sanções da comunidade internacional, nem sequer sanções aos produtos provenientes dos territórios ocupados ilegalmente.

Esta passividade da comunidade internacional e principalmente o apoio à ocupação ilegal por parte dos EUA contrasta gritantemente com a também ilegal invasão e igualmente inaceitável invasão da Ucrânia pela Rússia.

As sanções que foram e continuam a ser impostas à Rússia e o apoio político e militar à Ucrânia contrastam com a inação e a falta de apoio ao povo palestiniano e o apoio ao agressor e invasor, Israel.

A invasão da Ucrânia pela Rússia é um ato gravíssimo com repercussões humanitárias, sociais, económicas e políticas que ainda não conhecemos na sua totalidade. A condenação da invasão, o apoio ao povo Ucraniano e a procura de caminhos para a paz, serão sempre poucas.

No entanto, o território palestiniano ocupado por Israel não é um offshore do direito internacional. O povo palestiniano merece igualmente todo o apoio político para a sua autodeterminação.