Quando se fala de estratégia local de habitação com objetivo de fixar os jovens é fundamental ter em consideração que na sua iniciação profissional muitas vezes encontram barreiras como estágios e contratos de trabalho a termo que contribuem para que lhes seja mais dificil o acesso a um crédito habitação.
Quando a estratégia da autarquia da Ribeira Grande passa por conceder “o acesso a habitação própria por parte de jovens cujos encargos não ultrapassem os 30% dos seus rendimentos mensais” entendemos que esta será uma estratégia apenas para alguns, aqueles que já conseguiriam ter acesso a um crédito habitação pelas vias ditas tradicionais.
Vamos imaginar que um jovem aufere 750€/mensais brutos, os cálculos feitos para o acesso têm em conta o seu valor líquido ou seja 625,50€ (retirando o valor a pagar à segurança social e a retenção feita para o IRS). Os seus encargos não podem ser superiores a 187,65€, ou seja só pode gastar 6,25€/dia. Será mesmo possível com este valor uma pessoa conseguir garantir a sua alimentação, deslocação, e outros bens e serviços considerados indispensáveis diariamente? Será mesmo possível para este jovem ver garantido este acesso à habitação através desta estratégia? E se este valor for auferido através de um contrato de trabalho a termo? Terá ele as mesmas hipóteses?
Os jovens acabam por esbarrar nas mesmas condições bancárias que inibem os acessos por falta de garantia, no entanto em vez de a autarquia querer mimetizar o efeito bancário, não deveria adotar estratégias que promovam o efetivo acesso à mesma?
E que tal os arrendamentos a longo prazo com opção de compra? Promovendo que estas pessoas possam organizar a sua vida e comprar esta mesma casa onde estão a criar vínculos.
O exemplo que demos nem sempre retrata a verdade, pois existem muitos jovens que não conseguem auferir aquele valor mensal e por isso estão ainda mais condicionados a uma possivel alavancagem da sua vida.
O mercado de arrendamento está muito condicionado por não haver muita opção de escolha, os valores estão acima do que muitos jovens conseguem suportar, por isso a estratégia tem que passar pela criação de uma bolsa de arrendamento a preços acessíveis para regular os preços do mercado de arrendamento e suprir a escassez de habitação para arrendar. É preciso ainda aumentar o investimento na habitação social, reabilitando as infraestruturas existentes, estendendo a oferta da nova habitação onde ela é necessária e reforçando o programa de apoio à habitação degradada.
Fixar jovens não se faz seguindo os mesmos passos das opções existentes mas sim adotando alternativas para que os mesmos sintam segurança e confiança de que existe possibilidade de conseguir ter uma habitação. Quando somos jovens desejamos independência e é fundamental que o poder local auxilie neste processo, promovendo as estratégias que sejam efetivamente eficazes.