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Voto de pesar pelo falecimento de Miguel Portas

 

Miguel Portas morreu no passado dia 24 de Abril, após dois anos de luta contra o cancro. Encarou a sua própria doença como fazia sempre tudo, da política ao jornalismo: de frente e sem rodeios.

Activista contra a ditadura desde muito jovem, foi preso pela PIDE com apenas 15 anos. Militante do PCP entre 1974 e 1989, esteve sempre empenhado na transformação da esquerda. Em 1999, foi um dos fundadores do Bloco de Esquerda, movimento do qual foi dirigente e um dos principais impulsionadores.

Miguel Portas foi deputado na Assembleia Municipal de Sintra entre 2005 e 2010. Era, desde 2004, deputado ao Parlamento Europeu, onde granjeou o respeito e a admiração de parlamentares de variados quadrantes políticos.

Economista de formação, exerceu a profissão de jornalista. Foi director da revista cultural Contraste e depois redactor e editor de política internacional do Expresso. Fundou o semanário e a revista Vida Mundial, dos quais foi director. Foi cronista no Diário de Notícias e no Sol, bem como na Antena 1. Foi ainda assessor para os assuntos culturais da presidência de Jorge Sampaio na Câmara de Lisboa.Foi autor de dois documentários realizados para televisão: Mar das Índias e Périplo - Histórias do Mediterrâneo. Deixa três livros publicados: E o resto é paisagem; Líbano - entre guerras, política e religião e Périplo.

Homem de Esquerda, Miguel Portas foi simultaneamente um político e um homem de grande cultura, europeísta e internacionalista, que se distinguiu pela procura de caminhos novos na intervenção política. Desassombrado e corajoso, firme nas convicções, mas sempre disposto ao diálogo, disposto a sustentar rupturas, mas sempre aberto a convergências que procurou e defendeu activamente, teve uma vida intensa e viveu-a intensamente.A sua morte empobrece Portugal e a Europa.

A Assembleia Municipal de Ponta Delgada, reunida em 30 de Abril de 2012, delibera aprovar um voto de pesar pelo falecimento de Miguel Portas.