Já não nos bastava um governo que atira decisões bombásticas para cima das pessoas “a ver em que é que isto vai dar” para, depois, recuar em pormenores inócuos mas que publicita como “resultantes da grande consciência que o governo tem das dificuldades que o povo português está a passar”, o que promove vãs esperanças nos que, ainda, almejam algum resultado desta governação catastrófica, eis que nos surge também este relatório do FMI na mesma linha “experimentista” de nos atordoar com medidas inimagináveis, divulgadas na praça pública, para semear a confusão e incentivar a discórdia entre as pessoas.
Não se trata dum relatório à semelhança dos anteriores, representa, isso sim, nova etapa no plano de deliberado empobrecimento do país. Todas as medidas foram minuciosamente planeadas e têm objetivos muito concretos a atingir.
Refere a existência de profissões privilegiadas, mas em vez de criticar as remunerações exageradas de grande número de gestores públicos e assessores, a sua maioria detentora de cargos por nomeação partidária, desfere o seu ataque em profissões essenciais como as ligadas à saúde e ao ensino.
Propõe-se mexer nas pensões com cortes que vão contra toda uma expetativa criada por uma vida de descontos, não fazendo qualquer referência às pensões milionárias, negociadas e criadas a pedido, para compensar favores a quem sonega o fruto do nosso trabalho.
Vai ao pormenor de chamar a atenção para o nosso sistema de proteção social que considera injusto para os mais jovens, como se não fossem eles os futuros beneficiários quando dele necessitarem. Considera, ainda, que o subsídio de desemprego é demasiado elevado, como se ele não dependesse dos descontos efetuados por quem a ele tem direito.
Ataca deliberadamente a educação considerando-a um custo e não um investimento no conhecimento e no aumento da capacidade produtiva das pessoas. Quer poupar alguns milhões despedindo cerca de 50.000 profissionais. Esquece de referir o custo desses despedimentos e o impacto negativo que irá criar a nível social e na economia do país.
Pretende o aumento das taxas moderadoras, introdução de categorias de pagamentos mais elevados e discriminação de cuidados de saúde considerados não essenciais. Estamos perante um eventual genocídio da população mais envelhecida ou carente de cuidados de saúde especializados.
Remate final é o aumento das propinas como forma de financiar o ensino superior. Voltamos ao salazarista ensino para ricos, de forma a criar um exército de mão-de-obra barata e pouco esclarecida, sem conhecimentos que lhe permita competir em pé de igualdade com quem nascer em berço de ouro.
Continua a avançar o plano da direita, na Europa e particularmente em Portugal, comandado pela batuta deste governo PSD/CDS e o ziguezaguear titubeante e colaboracionista do PS. É tempo de voltar a cantar Lopes Graça: ACORDAI!