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Primeiro a nossa terra

O lema da candidatura do PSD à Câmara Municipal da Ribeira Grande foi “Primeiro a nossa terra”.

No debate autárquico, enquanto candidata pelo Bloco de Esquerda, alertei o Presidente da autarquia para a necessidade de se alterar o recurso recorrente a ajustes diretos para fazer face às necessidades de contratação por parte da autarquia. Em causa está a transparência que se exige nas contas públicas, neste caso em particular nas contas da autarquia.

A realidade é que o caminho que se vinha a fazer acentuou-se desde as últimas eleições autárquicas, com a autarquia a recorrer a ajustes diretos em 88,5% dos contratos realizados.

O valor associado a estes ajustes diretos ultrapassa os 2 milhões de euros, quase o dobro do que tem sido contratualizado através de concursos públicos, sendo a Ribeira Grande o município da Ilha de São Miguel com o maior valor de ajustes diretos, mais 940 mil euros que o Município de Ponta Delgada.

É fundamental alterar esta forma de contratação pública, exigindo a transparência que os munícipes desejam e que a autarquia deve seguir.

Um outro assunto que não podia deixar de comentar é a anunciada série da Netflix “Rabo de Peixe”, um projeto cujo tema central, segundo a nota de intenções, é a cocaína que se extraviou de um iate, foi parar à costa norte da ilha de S. Miguel e foi encontrada pelos locais.

Será, portanto, uma série que se alimentará das fragilidades da população e rotulará esta Vila pelos piores motivos.

O poder local já demonstrou o seu contentamento pela série, referindo ser algo que irá mostrar as coisas boas da Vila de Rabo de Peixe, no entanto, entre a nota de intenções e as expetativas dos Presidentes da autarquia e da Junta de Freguesia há uma clara deturpação em relação à mensagem que será transmitida.

Considero estranho que se ignore as preocupações dos rabo-peixenses e das pessoas que estão a alertar para os efeitos negativos que esta série trará para aquela localidade.

Explorar os flagelos sociais de uma vila, ampliando o seu estigma não é algo que devemos aceitar de forma leviana e irrefletida.

Quando estão em causa incentivos criados pelo Estado para este fim, devemos e temos o direito a criticar a escolha.

O estigma que Rabo de Peixe carrega deve ser desconstruído e não incentivado com omissões e até mentira sobre o que será a série.

Teremos, pois, Rabo de Peixe estigmatizado e, com o tempo, ficará clara a intenção e o resultado desta "produção".

 “Primeiro a nossa Terra” implica colocar “a nossa gente” em primeiro lugar, zelando pelos seus direitos, desconstruindo estigmas e promovendo a transparência necessária, também nas contas da autarquia, mas não só.