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Quantos vão poder usufruir?

O programa recentemente lançado pelo Governo Regional dos Açores, “Viver os Açores”, é uma campanha que se baseia numa remota alternativa para o incentivo ao incremento da economia regional.

As medidas apresentadas pelo governo regional para colmatar a falta de turismo externo dirigem-se aos açorianos, incentivando-a fazer férias na região, “cá dentro”.

O sector do turismo entende estas medida como uma possível bomba de oxigénio, mas na realidade este programa não está ao acesso de todas e todos os açorianos, devido à complexidade burocrática que está inerente ao seu processo de execução.

Grande parte da população ativa encontra-se em regime de lay-off e uma outra parte teve uma redução de rendimentos, por via da pandemia. Portanto, uma grande parte da população dificilmente terá condições financeiras para concretizar as famosas “férias cá dentro”.

O apoio estará em vigor de 16 de Junho a 31 de Dezembro deste ano, contempla um apoio de 50%, num valor máximo de 150€, onde o utilizador é obrigado a cumprir alguns requisitos. – e bem! – É um dos aspetos positivos deste programa, porque contempla as empresas de alojamento, restauração e de animação turística.

O grande imbróglio deste programa é a obrigatoriedade a que os açorianos e açorianas estão sujeitos, ou seja, existe a obrigatoriedade de adiantar o valor na sua totalidade para que seja reembolsado dez dias após a chegada à sua ilha de residência.

Relembro que o governo é o representante máximo do povo açoriano e  único acionista da companhia aérea Sata. Perante isto, nós, açorianos, merecíamos maior respeito por parte do governo dos Açores. Instrumentos empresariais não faltariam decerto a este acionista, que nos representa.

Os açorianos estavam expectantes relativamente à tal estratégia para planear as suas férias na região, no entanto, viram as suas expectativas defraudadas. Ter o preço da viagem mais acessível, ou pelo menos um desconto direto na aquisição da passagem, seria uma forma de incentivar mais agregados familiares a fazer férias pelas nossas ilhas. Não seria uma oportunidade para o comércio tradicional vender mais por via desta poupança inicial?

Ora bem! É hora de um casal açoriano fazer contas. São três dias de férias, que têm que contemplar os requisitos obrigatórios: passagem aérea, alojamento em uma unidade hoteleira ou alojamento local, três refeições por cada pessoa, e uma atividade turística por cada pessoa. Em termos de análise de valores médios de mercado, este casal terá de desembolsar um valor de 600€, isto, só para cumprir os requisitos do programa. Contudo, salienta-se que o valor real será muito superior a este, porque existe determinado valor que não esta contabilizado para este apoio.

Termino, afirmando que, nestes moldes, não existe uma oportunidade para todos os açorianos e açorianas, mas sim só para quem pode, sendo que o custo de oportunidade neste caso é muito elevado!