Ao vivermos a nossa vida deparamo-nos com diversos aspetos que geram discórdia, onde aquela que é a nossa visão não corresponde à visão que outros têm. Nesses momentos cada uma das nossas personalidades acaba por ter respostas diferentes. Mas e se tudo forem factos? Vamos por partes.
Na escola, em Filosofia, aprendemos que existem dois tipos de juízos, isto é, dois tipos de frases declarativas: juízos de facto e juízos de valor. Os de facto são aqueles que podem ser verdadeiros ou falsos, como «Esta mesa é castanha», ou «Os gatos têm bigodes», ou «Está a chover». Por outro lado, juízos de valor não podem ser vistos como verdadeiros ou falsos por dependerem dos princípios, valores, de cada pessoa, como «Esta mesa é mesmo bonita», ou «O Cristianismo é a melhor religião». Desta forma, temos juízos que descrevem a realidade, de facto, e aqueles que a avaliam, de valor. Por esta razão é que só se fala de verdade/falsidade naqueles de facto.
O meio por excelência de lidar com a verdade é por via da ciência. A sua proeminência dá-se por utilizar um método que permite retirar conclusões sofisticadas e rigorosas. Há lugar para uma observação atenta, uma tentativa de interpretação que nos leva a crer numa teoria. Pensamos: se esta teoria estiver certa, o que devemos observar se fizermos uma experiência com estas condições controladas? Com a verificação do previsto e a repetição do procedimento várias vezes e por várias pessoas, chega-se ao conhecimento científico. Isto, de uma forma muito linear e simplista, penso que resume no essencial aquilo que transversalmente é feito.
Quando se pensa em ciência pensamos em dois grandes grupos: as naturais e exatas por um lado e as sociais por outro. Estas últimas muitas vezes colocadas em questão por os resultados terem uma margem de erro maior, dependendo muito da imprevisibilidade humana. O meu primeiro ponto é de que além destas, temos muitas outras, temos todas as especializações que existem. Cada área tem princípios, conhecimentos associados, em constante melhoramento metodológico. Não será um enólogo uma potencial fonte de conhecimento científico? Talvez se torne mais complicado fazer esta análise quando falamos de arte. Vejamos essa questão em específico.
Quando alguém afirma uma opinião sobre uma determinada obra, facilmente podemos afirmar «gostos não se discutem» e avançar com a nossa vida. Afinal, como podem duas pessoas diferentes considerar as mesmas coisas belas? Por outro lado, lembremo-nos que ao longo da História o que não faltou e falta são reconhecidos cientistas com divergências nas respetivas áreas de estudo. Porque relativizamos essa questão? Porque consideramos que a teoria adotada é a que melhor se aproxima à realidade. No caso da arte, a aproximação que nós ambicionaríamos seria ao belo, o que não nos parece propriamente ajudar. Contudo, podemos dar um passo atrás e pensar sobre o que será uma obra de qualidade e nesse caso já podemos discutir a possibilidade dos artistas e de quem estuda a arte de ter uma palavra, sendo especialistas no que concerne às técnicas e até evolução desse campo. Mesmo na arte, conseguimos ter especialistas que avançam com conhecimento científico.
Qual é o nosso problema com o belo? A definição. Então se alguém tentar definir belo, nem que seja com um conjunto de casos particulares, já seremos capazes de perceber, ou melhor, prever, o que essa pessoa considerará belo, apesar da nossa noção ser diferente.
O propósito deste amontoado de palavras é justamente frisar: o importante quando falamos é que significado damos às palavras que usamos.